Itaipu Binacional/ Divulgação
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Preços da energia devem continuar a pressionar a inflação em 2022

O que nos salvou do racionamento foram as térmicas, as chuvas de outubro e o fato de que mais uma vez a economia não cresceu o esperado, mas evitar o racionamento trouxe um custo ao consumidor

Adriano Pires*, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2021 | 04h00

O ano de 2021 foi bastante tenso no mercado de energia. Tivemos a crise de energia, aumentos surreais no preço da gasolina, do diesel e do botijão de gás e, agora, no fim do ano, um aumento significativo no preço do gás natural vendido pelas distribuidoras de gás estaduais.

No caso da crise de energia, o susto foi grande. Com a expectativa da retomada do crescimento em razão do sucesso das vacinas e com os reservatórios vazios, havia a probabilidade de um racionamento em 2021. O que nos salvou foram as térmicas, as chuvas bem-vindas de outubro e o fato de que mais uma vez a economia não cresceu o esperado, portanto a demanda de energia ficou abaixo do projetado. Isso sem falar das temperaturas amenas dos últimos meses, que evitaram um maior consumo vindo dos aparelhos de ar-condicionado, que hoje são os principais vilões, pelos picos no consumo de energia.

Mas evitar o racionamento trouxe um custo para o consumidor, em particular os cativos, que terão uma conta gorda para pagar nos próximos anos. Isso já vai significar um aumento das tarifas entre 8% e 10%, em 2021, e de 18% a 22%, em 2022. Exemplo: a conta covid-19, de R$ 15 bilhões em 2020, que será paga nos próximos cinco anos; a conta da bandeira tarifária, que parece ser superior aos R$ 15 bilhões; e a conta do leilão simplificado/emergencial, que custará cerca de R$ 40 bilhões a partir de maio/junho de 2022, durante 44 meses.

Mas a crise não se encerrará em 2021. Deveremos ter um 2022 ainda preocupante, já que terminaremos o período seco de 2021 com níveis de reservatórios ainda baixos, o que nos obrigará a manter as térmicas ligadas. Vamos aguardar como virão as chuvas a partir de dezembro e qual nível de reservatório teremos em abril de 2022, início do período seco. As emoções e preocupações serão mantidas em 2022.

Em relação aos combustíveis líquidos, o ano de 2021 foi de muita pressão nos preços. O preço da gasolina na refinaria já cresceu 72,8%; o do diesel, 64,6%; e o do GLP, 39,8%. As causas foram o aumento do preço do barril de petróleo e a depreciação do real ante o dólar. Aventaram-se várias alternativas para tentar diminuir a volatilidade e, mesmo, os preços dos combustíveis: mudanças nos impostos (PIS-Cofins e ICMS), fundo de equalização, vale-gás. Porém nada aconteceu de concreto. Ao contrário, surgem propostas sem eira nem beira de criação de um imposto de exportação de petróleo.

Enfim, 2021 foi um ano difícil para o setor de energia e os preços dela foram os grandes vilões da inflação. Em 2022 a tendência é de que os preços da energia continuem pressionando a inflação.

* DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA (CBIE)

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