Preços de aluguel e de transportes cedem

Apesar da queda do IPCA-15 e do IGP-M, analistas afirmam que governo não deve descuidar da inflação

Alessandra Saraiva / RIO e Anne Warth / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2011 | 00h00

Dois indicadores divulgados ontem apontaram perda de fôlego da inflação no curto prazo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15), prévia do IPCA, índice de referência para a meta de inflação do governo, recuou de 0,70% para 0,23%, de maio para junho.

No mesmo período, a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), indexador dos reajustes de preços de aluguel, saiu de uma elevação de 0,66% para uma queda de 0,21%. Apesar da deflação, analistas são quase unânimes em considerar que, no longo prazo, o avanço da inflação ainda é preocupante.

"Ainda não dá para relaxar. A inflação não está convergindo e acho que o Banco Central vai ter um pouco de trabalho para conseguir segurá-la", afirmou a economista da Mapfre Investimentos Helena Veronese. Para ela, a perda de força do IPCA-15 não pode ser interpretada como uma tendência capaz de garantir o controle da inflação.

Em junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou pela quarta vez consecutiva a taxa básica de juros (Selic), de 12% para 12,25%, em mais uma tentativa de conter o avanço da demanda e frear a elevação dos preços no mercado interno.

A equipe da LCA Consultores esperava variação ainda menor para o IPCA-15 - alta 0,13% - e prevê que o índice fechado do mês fique em 0,09%, bem abaixo do resultado de maio, de 0,47%. Para o IPCA-15 de julho, a previsão da consultoria é de variação de apenas 0,01%.

O relatório destaca a contribuição do grupo transportes, que registrou queda de 0,73% no IPCA-15 de junho e deve aprofundar a deflação no fechamento do mês para 0,88%, puxado pelos efeitos da deflação do álcool sobre o preço da gasolina. O grupo alimentação e bebidas, pela avaliação da LCA, deve registrar deflação de 0,21% no fechamento do mês, em resposta às fortes quedas dos produtos agropecuários no atacado.

Para Thiago Curado, da Consultoria Tendências, o IPCA deve terminar junho abaixo da taxa de maio e continuar a mostrar desaceleração em julho. Mas os resultados serão influenciados por aspectos pontuais, como o ambiente mais favorável dos preços de transportes e de alimentos. / COLABOROU NALU FERNANDES

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