Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Preços de imóveis têm em setembro a maior alta mensal desde 2014

Índice Fipezap, calculado com base em anúncios online em 50 cidades, mostra que o aumento médio no País foi de 0,53%, ficando acima da inflação projetada para o mês

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2020 | 10h16

A despeito da crise econômica provocada pela pandemia, o mercado imobiliário tem mostrado uma recuperação significativa. O preço anunciado médio dos imóveis residenciais no País teve em setembro a maior alta para o mês em seis anos. O valor pedido de venda das moradias subiu 0,53% no mês, mostrando aceleração da alta em relação a agosto, quando cresceu 0,37%. No acumulado deste ano, os preços já aumentaram 2,31%.

Os dados são do Índice Fipezap, pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base nos anúncios online em 50 cidades.

O levantamento mostra que a oscilação dos preços anunciados no mercado imobiliário bateu a inflação projetada para o mês de setembro (0,43%) e para o acumulado do ano (1,13%), considerando estimativas de economistas compiladas pelo Boletim Focus, do Banco Central.

O resultado surpreendeu o coordenador da pesquisa, Eduardo Zylberstajn. "Com a chegada da pandemia, em março e abril, era difícil encontrar alguém que imaginasse uma alta no mercado imobiliário como estamos vendo hoje", disse.

Segundo ele, a alta nos preços anunciados é um reflexo de três fatores. O primeiro é a recuperação da demanda por imóveis. Isso vem acontecendo porque os juros baixos aumentaram a capacidade de financiamento das famílias e atraíram investidores da renda fixa, impulsionando as vendas.

A pesquisa mais recente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) mostrou que as vendas de residências na capital paulista em agosto já ultrapassaram os níveis vistos antes da pandemia, uma verdadeira recuperação em "V".

O segundo ponto é que o nível de confiança da população e seu interesse em buscar um imóvel foi preservado. "As pessoas acreditam que a pandemia vai passar, mais cedo ou mais tarde, e ainda querem negociar", observou Zylberstajn.

Por fim, ele avaliou que há uma mudança de comportamento por causa da pandemia, e mais pessoas estão ficando em casa. Daí a procura por um espaço maior e mais confortável, que tem influenciado a demanda. "Esta não é uma crise como as outras. Não é uma recessão típica. Do ponto de vista do mercado imobiliário, a atividade se manteve", disse.

Caso não haja nenhuma ruptura no ciclo de juros baixos, a tendência é que as vendas e os preços mantenham a trajetória de alta, estimou o coordenador. O que pode mudar essa trajetória é alguma medida do governo federal que eleve o risco do País, ponderou.

"O flerte do governo com a quebra do compromisso firme de austeridade fiscal é um fator de risco. Não é o cenário mais provável, mas sim um cenário alternativo que está no radar", disse. A consequência seria o aumento nas taxas do financiamento da casa própria, uma operação de crédito de longo prazo que considera as expectativas para o País nos anos seguintes.

Cidades

O Índice Fipezap revela também que a alta dos valores dos imóveis foi praticamente generalizada em setembro, ainda que com força de intensidade diferente em cada região.

Entre as 16 capitais pesquisadas, foram registradas altas em 15: Brasília (1,97%), Curitiba (1,39%), Recife (1,20%), João Pessoa (0,78%), Belo Horizonte (0,70%), Salvador (0,70%), Maceió (0,66%), Vitória (0,66%), Goiânia (0,61%), Fortaleza (0,52%), Manaus (0,48%), Rio de Janeiro (0,38%), Campo Grande (0,35%), São Paulo (0,35%) e Florianópolis (0,10%). A única baixa foi em Porto Alegre (-0,05%).

Tudo o que sabemos sobre:
mercado imobiliárioimóvel

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.