Preços de itens básicos derrubam vendas a varejo

Queda de 1% é resultado muito pior do que o previsto pelos agentes econômicos

O Estado de S.Paulo

14 Julho 2016 | 03h00

A queda surpreendente das vendas varejistas de 1% entre abril e maio, segundo o IBGE, resultado muito pior do que o previsto pelos agentes econômicos, explica-se não só pela fraqueza do emprego e da renda, mas pela inflação muito mais aguda no setor de alimentos do que em outros itens. O feijão, o leite e a batata, entre outros, contribuíram para a alta de 0,78% em maio e de 12,74% em 12 meses, até maio, do item alimentação e bebidas. Este item subiu 3,42 pontos porcentuais mais do que o IPCA medido em 12 meses (9,32%), já muito alto.

“Os números do comércio estão reagindo ao enfraquecimento do mercado de trabalho”, disse Isabella Nunes, gerente do IBGE.

Evidência da perda de poder aquisitivo dos consumidores é o fato de o comércio restrito, que exclui veículos e motos, partes e peças, e material de construção, ter caído mais do que o comércio ampliado (0,4%) entre abril e maio. Como os preços dos alimentos continuam a subir, é possível que os próximos resultados do comércio restrito voltem a ser pressionados.

A média móvel trimestral dessazonalizada caiu pela 18.ª vez consecutiva, retroagindo aos patamares de 2010.

Na comparação entre abril e maio, houve pequena alta em hiper e supermercados (0,2%) e em tecidos, vestuário e calçados (1,5%), além de veículos e motos (1%). Mas entre maio de 2015 e maio de 2016 todos os itens do comércio restrito e ampliado caíram, entre o mínimo de 2,6% em artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e perfumaria e o máximo de 24,2% em livros, jornais, revistas e papelaria. A queda do comércio restrito foi de 9%, superando a do acumulado em 12 meses (6,5%). No comércio ampliado o recuo foi de 10,2%, ante 9,7% em 12 meses.

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE deixa claro que, para a recuperação econômica, não basta a ligeira retomada da confiança observada em pesquisas com empresas e consumidores. Será preciso que essa confiança se traduza em investimento e contratação de mão de obra, o que não parece próximo.

A melhor notícia para o comércio talvez esteja distante dos indicadores do IBGE: a recuperação dos preços em bolsa das ações das maiores companhias do varejo. Mas isso pode ter um significado ruim para o consumidor: que as empresas do varejo começam a recuperar margens e lucros, enquanto os preços cobrados continuam elevados.

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