Preços de referência de energia elétrica caem no Sudeste

Após 10 semanas em alta acelerada, os preços de referência de energia elétrica no mercado atacadista registraram queda de 5,17% na região Sudeste/Centro-Oeste, fixando-se em R$ 89,05 por Megawatts/hora (MW/h). Esse patamar é quase cinco vezes superior em relação aos R$ 18,33 por MW/h vigentes no final do ano passado e quase três vezes superior ao observado no início de julho do ano passado.A pressão sobre os preços continua vindo do Sul do País, onde a seca continua forte. Pelos dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as chuvas no Sul continuam bem abaixo do previsto, oscilando em torno de 18% da média de longo prazo. Tradicionalmente o maior volume de chuvas na região se acentua em maio, mas a seca deste ano, está se configurando como a pior de todos os tempos.Os preços nas três regiões (Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Norte) estão praticamente no mesmo patamar, já que têm sido influenciados pela seca na região Sul., com a média em torno de R$ 89,05 por MW/h. O Nordeste é o único dos quatro sub-mercados em que os preços este ano estão mais acomodados e estão em torno de R$ 28,64 por MW/h. Embora seja um terço do vigente nas demais regiões, esses preços estão bem acima dos registrados em igual período do ano passado, quando as tarifas estavam em torno de R$ 18,33 por MW/h, o que ilustra a menor disponibilidade de água nos reservatórios este ano.A situação ainda está na faixa "administrável" na avaliação do ONS, mas o órgão responsável pela produção de energia elétrica no País está tendo de acionar cada vez mais térmicas para evitar problemas de suprimento.Nesta sexta-feira, o órgão autorizou a transferência de 5.308 MW médios do Sudeste para o Sul, no limite da capacidade das linhas de transmissão entre as duas regiões, o que corresponde a cerca de dois terços do consumo total no Sul.Além das térmicas movidas a gás, o ONS voltou a contar com a capacidade máxima das duas usinas nucleares, com o retorno à operação por parte de Angra I. A geração das térmicas respondeu por 5,06% do total gerado no País, além de outros 3,90% das centrais nucleares.Itaipu, isoladamente, respondeu por 20,53% das necessidades do País e as demais hidrelétricas pelos 70,51% restantes. A geração hidrelétrica, incluindo Itaipu, respondeu por 91% do total, o que ressalta a forte dependência do País ao regime de chuvas.Pelos dados do ONS, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, que respondem por cerca de dois terços da capacidade total do País, estavam hoje em torno de 76,90% da capacidade máxima de armazenamento, o que indica uma sobra de 23,25 pontos percentuais em relação à curva de aversão ao risco.Na região Sul, os reservatórios estavam em torno de 29,40% da capacidade total, com sobra de 16,90 pontos em relação à curva de aversão ao risco. No Norte e Nordeste os reservatórios continuam tranqüilos, com 91,82% e 88,49% da capacidade máxima de armazenamento, respectivamente.Com isso, o Nordeste está com folga de 46,46 pontos percentuais em relação à curva de aversão ao risco. Esse mecanismo foi criado pelo governo após o racionamento de energia elétrica em 2001/2002 e visa a dar mais autonomia ao ONS para a gestão da oferta de energia, caso haja problemas na oferta.

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