Preços do feijão e do leite devem continuar pressionados

Redução na oferta de dois alimentos básicos que responderam por 60% da inflação de junho não deve ser resolvida nos próximos meses, prevêem analistas

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2016 | 18h32

O brasileiro vai continuar convivendo com preços elevados do feijão e do leite nos próximos meses. Apesar de a inflação oficial ter perdido o fôlego em junho, os dois alimentos básicos responderam juntos por 60% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que encerrou o mês passado com alta de 0,35%.

“Não acredito que o preço do feijão suba mais”, diz o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão, Marcelo Lüders. Na última semana, o preço médio do quilo do grão na cidade de São Paulo foi de R$ 11,06, segundo pesquisa da Fundação Procon.

Lüders frisa que a tendência é de estabilização de preços em níveis elevados por causa de alguma importação do produto e da pequena oferta de feijão da 3ª safra, colhida entre o fim deste mês e começo de agosto.

Mas esses dois fatores ainda serão insuficientes para derrubar a cotação e trazê-la de volta para média histórica de R$ 5,00 o quilo. O especialista observa que os países do Hemisfério Norte, apontados pelo governo como fornecedores – China, Estados Unidos, Canadá e México – estão na entressafra e não têm produto suficiente para exportar.

“O preço do grão deve continuar em níveis elevados até o início de 2017”, prevê Lüders. Isso porque em janeiro e fevereiro entra no mercado a 1ª safra, a que tem volumes mais significativos para derrubar preços.

Leite. Já no caso do leite, a tendência é de os preços continuarem subindo. Além do período de seca que afeta as pastagens e a produção, Juliana Pila, analista da consultoria Scot, explica que os produtores tiveram um aumento de custos de 28% em junho deste ano comparado com 2015. “A alta do milho e de suplementos usados na alimentação dos animais, além da energia e da mão de obra, pressionaram as margens do produtor.”

Para Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná, a situação da oferta de leite é mais complicada comparada à do feijão. Isso porque em razão dos preços baixos pagos ao produtor de leite, muitos desistiram da atividade ou abateram as matrizes. Isso indica que será preciso mais tempo para recompor os rebanhos e a produção. 

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