Preços do petróleo vão continuar voláteis, diz especialista

A queda de preços do petróleo tende a ser transitória, mas a volatilidade da commodity deve continuar, na avaliação do professor do Instituto de Geociências (IG) e diretor do Centro de Estudos de Petróleo (Cepetro) da Unicamp, Saul Suslick. Segundo ele, pelos fundamentos, o petróleo poderia subir mais. "Os fundamentos apontam para um aumento contínuo dos preços", observou o especialista em entrevista à Agência Estado. Fatores sazonais e pontuais, no entanto, têm limitado essa alta. No meio da tarde, por exemplo, o contrato de petróleo para março operava em queda de 2,74%, para US$ 58,25 o barril, após a indicação do ministro de petróleo da Arábia Saudita, Ali Naimi, de que a Opep poderá não precisar reduzir a produção. Além disso, a busca por fontes alternativas de energia também tem segurado o petróleo abaixo de US$ 60. Para Suslick, é difícil saber em que patamar o petróleo poderia se acomodar. "Há 1 ou 2 anos se imaginava o petróleo a US$ 100 o barril. Hoje o preço de referência pode estar entre US$ 60 e US$ 70", afirmou. Nesse intervalo de preço, o petróleo serviria de incentivo maior para a transição para outras fontes de energia, explicou o especialista. Após as perdas do petróleo dos últimos meses, os preços do diesel e da gasolina no Brasil estariam acima dos praticados no mercado internacional. Para Suslick, isso não quer dizer que a Petrobras poderá ajustar os preços para baixo para se igualar ao mercado externo. "O governo tem evitado repassar volatilidade para o consumidor. Vai ser difícil haver ajuste de preços no curto prazo", avaliou.

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