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Preços do varejo estão no menor nível dos últimos dois anos

Os preços dos serviços administrados no varejo estão no menor nível dos últimos dois anos, graças ao bom comportamento das tarifas de telefone e de energia elétrica. Estes itens estão no menor patamar desde o "boom" de privatizações, nesses dois setores, em 1999. Os dados constam de levantamento especial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido do Estado.A série de acompanhamento dos serviços administrados no varejo começou a ser feita em 2004. A dos serviços de telefone fixo e energia elétrica é mais antiga. Segundo informou o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, de janeiro a julho deste ano, os preços dos serviços administrados registraram alta de 2,28% no varejo, no âmbito do IGP-DI.No mesmo período em 2005, os preços desse grupo mostraram elevação de 5,89%. Já no período de janeiro a julho de 2004, os preços dos serviços administrados registraram alta de 4,53%. "Claramente, se pode ver que esse cenário (o de 2006) não é padrão", comentou o economista. "É um ano atípico. Este comportamento de serviços administrados, como ocorreu esse ano, não deve se repetir", considerou.Quadros, no entanto, preferiu não fazer previsões para 2007. No segmento de serviços administrados no varejo, dentro do IGP-DI, há vários tipos de preços (como pedágios, por exemplo). Porém, os tipos que mais contribuíram para o cenário de 2006 foram as tarifas de telefone fixo e de energia elétrica.Na série especial, o economista informou que, de janeiro a julho de 2006, o preço da tarifa de telefone fixo registrou queda de 1,33%. Quadros comentou que esse tipo de comportamento, da tarifa de telefone, é bem diferente do que ocorreu em anos anteriores. Segundo ele, no mesmo período de janeiro a julho, mas do ano passado, a tarifa de telefone fixo subiu 4,83%.Desde 1999, quando a maioria das empresas do setor encontrava-se privatizada ou em processo de privatização, o preço da tarifa de telefone não registrava patamar tão baixo. "E só dá para comparar a tarifa de telefone fixo de 1999 para cá, visto que o cenário anterior às privatizações era bem diferente", afirmou ele, lembrando que o reajuste na tarifa de telefone fixo passou a ser indexado pelo IGP-DI em 1999. No caso de energia elétrica, de janeiro a julho deste ano, o preço da tarifa subiu 0,25%, ante alta de 3,73% apurada em igual período no ano passado. Ainda de acordo com o economista, o cenário das tarifas de energia hoje também só pode ser comparado com o período de 1999 em diante, visto que, naquele ano, as privatizações no setor - que começaram a ganhar impulso quando da privatização da Light, em 1996 - se consolidaram. DeflaçõesQuadros considerou que o cenário deste ano para os serviços administrados foi causado principalmente pela onda de deflações registrada no ano passado - quando todas as taxas anuais de 2005 dos IGPs, calculados pela FGV (IGP-M, IGP-10 e IGP-DI) registraram os menores resultados de suas séries históricas. Como esses indicadores foram usados no cálculo dos reajustes das tarifas de telefonia e energia elétrica (respectivamente o IGP-DI e o IGP-M) este ano, isso levou ao cenário favorável nessas duas tarifas. "Foi o câmbio, e ajustes nos preços das commodities, que levaram àquela onda de deflações no ano passado", lembrou o economista, recordando que houve uma intensa valorização do Real ante o dólar em 2005, que puxou para baixo os preços de vários insumos relacionados à moeda norte-americana. Para o economista e ex-diretor da Dívida Pública do Banco Central (BC) Carlos Thadeu de Freitas Gomes, a inflação em 2006, medida pelo IPCA, deve ficar em torno de 3,7% a 3,8%. Ele observou que, com a mudança metodológica promovida pelo IBGE no IPCA, alguns preços administrados perderam peso na formação do indicador. Embora o comportamento dos serviços administrados este ano tenha sido não usual, a inflação como um todo apresenta um cenário também favorável, ressaltou. Para o ano que vem, o economista espera inflação em torno de 3,5% a 4%. "Só uma alta do dólar (em 2007) poderia mudar isso", disse.

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