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Preços dos alimentos puxam terceira queda consecutiva no IPP

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) caiu 0,38% em fevereiro, após já ter recuado 0,43% em janeiro e 0,17% em dezembro de 2011

Daniela Amorim, da Agência Estado,

30 de março de 2012 | 11h31

A queda nos preços dos alimentos foi a principal responsável pela deflação na indústria da transformação por três meses seguidos, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice de Preços ao Produtor (IPP) caiu 0,38% em fevereiro, após já ter recuado 0,43% em janeiro e 0,17% em dezembro de 2011.

"Um dos principais fatores para três quedas seguidas do IPP foi o setor de Alimentos, que veio com uma trajetória em 2010 com uma elevação muito grande nos preços. Isso continuou em 2011, só que veio perdendo força. De meados de 2011 para cá, nós vemos já uma trajetória negativa", lembrou Cristiano Santos, técnico da Coordenação de Indústria do IBGE.

O peso do setor de Alimentos é de cerca de 18% na formação da taxa do IPP, o maior entre as 23 atividades pesquisadas. "O peso varia um pouco, porque, segundo a metodologia da pesquisa, quando um setor sobe, ele ganha importância no indicador. Então a tendência é que esse impacto negativo de alimentos não seja tão significativo quanto antes. Mas vai ser importante, porque ele não vai deixar de ser o primeiro", afirmou Santos.

Em fevereiro, ficaram mais baratos na porta da fábrica as carnes de bovinos frescas ou refrigeradas, os sucos concentrados de laranja, o açúcar refinado de cana, e as carnes e miudezas de aves congeladas. A queda nos preços é explicada pelo excesso de oferta após a safra e pela redução da demanda externa por alguns produtos brasileiros.

"Alguns setores no mercado internacional estão demandando menos produtos. No mercado externo como um todo, o setor de alimentos vem sentindo uma queda de preços", disse o pesquisador do IBGE.  

Máquinas e equipamentos 

Os preços de máquinas e equipamentos tiveram leve recuo em fevereiro, de 0,20%, dentro do Índice de Preços ao Produtor (IPP), mas a alta acumulada de 2,04% em 2012 pode indicar um aquecimento do ritmo de produção, informou o IBGE.

"Os contratos referentes a máquinas e equipamentos estão sendo repactuados no sentido de uma variação positiva de preços. Isso certamente tem um impacto por conta da própria condição que a indústria tem de fornecer esses produtos no médio prazo", disse Cristiano Santos, técnico da Coordenação de Indústria do IBGE. "Então, de maneira geral, a gente pode dizer que esse setor está aquecido em razão da demanda, principalmente, interna".

Em 2012, destacaram-se os aumentos nos preços dos tratores (exceto agrícolas), carregadoras-transportadoras e rolamentos de esferas e agulhas para equipamentos industriais. "Se isso vai impactar na produção, não sei ao certo, mas é fato que pode vir a fazer que no futuro, no médio e longo prazo, aumente. É um setor que vem trazendo variação positiva mais ou menos homogênea, basicamente nos equipamentos que são demandas internas, como a parte de tratores, de motoniveladoras, e muitos produtos ligados à construção civil", contou Santos.  

Dólar 

A desvalorização do dólar ante o real ajudou a derrubar os preços de setores importantes na indústria da transformação brasileira em fevereiro, segundo o IBGE. A transmissão da desvalorização do dólar para o indicador se dá de duas maneiras: os insumos mais baratos podem ter o desconto repassado ao produto final; e os produtos cotados na moeda americana, quando convertidos para o real pelos pesquisadores do IBGE, mostram-se mais baratos em relação a meses anteriores.

O setor de Fumo teve a maior queda de preços em fevereiro, de 2,90%, em razão do impacto do dólar. A redução já havia sido de 1,92% em janeiro. "No acumulado de janeiro e fevereiro, o dólar caiu cerca de 6%. No mesmo período, os preços da atividade de fumo caíram quase 5%", afirmou Cristiano Santos, técnico da Coordenação de Indústria do IBGE. "No Fumo, você vê bem esse impacto do dólar na cadeia produtiva. O mesmo aconteceu em Outros Produtos Químicos".

A atividade de Outros Produtos Químicos registrou deflação de 1,04% em fevereiro, após já ter caído 2,06% em janeiro. O setor teve o segundo maior impacto (-0,11 ponto porcentual) sobre a taxa de -0,38% no IPP de fevereiro. As matérias-primas ficaram mais baratas por serem importadas em dólar, mas também pela queda nos preços das commodities.

"A nafta tem tido uma volatilidade muito grande nos preços. E nos últimos meses o viés de queda vem sendo sentido por setores da indústria química, como é o caso de fertilizantes, de toda a química orgânica. Isso faz com que os preços possam cair, por conta de o produtor ter decidido repassar os descontos que está tendo nessa commodity", explicou Santos.

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