Preços dos pães, massas e biscoitos vão subir até 15%

Valor dos alimentos já subiu cerca de 20% nos últimos 12 meses e tem peso significativo nos índices de inflação

Márcia de Chiara e Fabíola Salvador, de O Estado de S. Paulo,

17 de abril de 2008 | 08h56

O pãozinho francês deverá ficar 12% mais caro para o consumidor este mês e massas, bolachas e biscoitos terão um reajuste de 15% nos supermercados, segundo representantes da indústria de pães, massas e biscoitos. "Os aumentos são inevitáveis", afirma o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), Claudio Zanão. Veja também:Especial sobre a crise de alimentos Líderes mundiais pedem urgência contra inflação de alimentosÁlcool brasileiro tem menos impacto em alimentos, diz Bird  Celso Ming explica a alta da inflação  Produção maior é saída contra inflação, diz LulaONU pede medidas urgentes contra inflação de alimentosEntenda os principais índices de inflação  A nova rodada de aumentos desses alimentos, que já subiram cerca de 20% nos últimos 12 meses até março e têm um peso significativo nos índices de inflação, é reflexo da disparada dos preços do trigo e da farinha no mercado internacional. Em um ano, o trigo, cotado hoje a R$ 800 a tonelada, praticamente dobrou de preço, impulsionado pelo menor nível de estoques mundiais dos últimos tempos, observa o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Luiz Martins. Além disso, o principal fornecedor para os moinhos brasileiros, a Argentina, reteve as exportações do produto para conter a inflação local."É a pior crise enfrentada pelo setor de massas, pães e biscoitos dos últimos 20 anos", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria, Alexandre Pereira Silva. O Brasil consome 10,5 milhões de toneladas de trigo por ano e importa 70%, a maior parte da Argentina.  Para desatar o nó do abastecimento na cadeia do trigo, representantes dos moinhos (Abitrigo), da indústria de panificação (Abip), da indústria de massas (Abima) e da indústria de biscoitos (Anib) decidiram encaminhar um pleito ao governo. O setor reivindica o fim da Tarifa Externa Comum (TEC), hoje em 10%, sobre as importações do grão de países que estão fora do Mercosul.

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