Preços no varejo de SP caem 0,46% em fevereiro

O Índice de Preços no Varejo (IPV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) registrou uma queda de 0,46% em fevereiro ante alta de 1,12% em janeiro. Segundo a assessoria econômica da instituição, o resultado ratifica a expectativa da instituição de que há uma tendência de desaceleração dos preços no varejo neste primeiro trimestre de 2005."Essa queda nos primeiros meses do ano é comum, pois trata-se de um período de vendas fracas para o comércio, puxando os preços para baixo.", disseram os economistas da Fecomércio por meio de nota à imprensa. Esse movimento ocorre, segundo eles, porque é nesta época que os impostos são cobrados, tais como IPVA e IPTU. Além disso, eles lembraram que as liquidações de estoque também estimulam a retração. Dois grupos foram os principais responsáveis pela queda do IPV em fevereiro, de 0,46%. O grupo de Semiduráveis apresentou retração dos preços de 3,15% e o de Comércio Automotivo, de 1,14%.O resultado de Semiduráveis é bem diferente do apontado em janeiro, quando houve alta de 1,77%. De acordo com os economistas da Federação, que fizeram análise por meio de nota à imprensa, o que influenciou este porcentual foi o desempenho do setor de Vestuário. As queimas de estoques das lojas resultam em uma baixa de 5,86% no mês passado ante retração de 1,33% vista em janeiro. "Como exemplo, temos as roupas masculinas, como ternos e camisas, que caíram 15,82% e 14,07%, respectivamente", salientaram os economistas.No caso do setor automotivo, os economistas da Fecomércio salientaram que uma desaceleração de preços deste setor não ocorria desde agosto do ano passado. "Os preços de veículos novos tiveram grande influência no índice, passando da alta de 3,03% em janeiro, para queda de 3,85% no mês passado", compararam. Já os preços de autopeças variaram menos em relação ao último resultado, 3,34% em fevereiro, contra 3,71% visto em janeiro. No acumulado do ano, porém, o grupo continua a indicar alta, de 2%.Com exceção de Materiais de Construção, que registrou a maior alta do IPV no mês passado (3,47%), alguns outros grupos tiveram variações positivas bastante discretas e pouco significativas para o resultado, como Duráveis (0,04%) e Não-Duráveis (0,97%).A alta de 0,04% registrada pelo grupo de Duráveis em fevereiro também é inferior ao resultado verificado em janeiro último, de 0,86%. "Como vem ocorrendo nas edições anteriores, o desempenho de Eletrodomésticos, com queda de 0,46%, foi fator preponderante para desacelerar os preços do grupo", analisaram os assessores da Fecomércio. Móveis e Decorações também tiveram diminuição do ritmo de alta neste segundo mês do ano, passando de 3,18% no mês anterior, para 0,89%Não-DuráveisO grupo Não-Duráveis teve alta de 0,97% em fevereiro, porcentual superior ao visto anteriormente, de 0,12%. Os produtos alimentícios, que têm grande peso no índice, tiveram alta de 1,15%, com destaque para a elevação de preços de produtos in natura, como batata (39,81%) e tomate (28,49%). "Estes itens sofrem grande interferência de fatores climáticos, afetando a safra e, por conseqüência, os seus valores nas prateleiras dos supermercados", explicaram os economistas da Fecomércio.A maior alta entre os grupos foi verificada entre os Materiais de Construção, com aumento de 3,47% contra 0,63% apresentado em janeiro. Este resultado é o maior do setor desde setembro do ano passado e com isso já acumula alta de 4,12% no ano. Minério de ferro e açoOs assessores econômicos da Fecomércio acreditam que a inflação futura medida pela instituição, o IPV, deverá ser contaminada nos próximos meses pelo aumento dos preços do minério de ferro e do aço. "É provável que alguns grupos sofram reajustes por conta dos aumentos anunciados nos minérios de ferro e aço", disseram os analistas por meio de nota à imprensa, sem fazer uma projeção numérica. Segundo eles, isto poderá ocorrer porque estes custos ainda não foram repassados para todos os produtos usuários dessas matérias primas no processo produtivo.Outro ponto de pressão esperado pelos economistas da Fecomércio para a inflação futura é dos preços do alimentos, que sofrem oscilações com a mudança climática. Além disso, os analistas da Federação contam com um repasse da indústria para o varejo do reajuste dos produtos farmacêuticos, que passará a valer a partir do dia 31 deste mês, conforme MP do Governo Federal. A previsão da Fecomércio é que seja autorizado um reajuste abaixo do IPCA apurado em 2004 (7,6%), podendo pressionar esse grupo a partir de abril.O IPV é pesquisado pela Fecomércio desde 1992. Divulgado mensalmente, apura as variações de preços de uma cesta de 150 produtos do varejo na Região Metropolitana de São Paulo. O IPV tem base quadrissemanal, e resulta da comparação entre a variação dos preços das últimas quatro semanas, com a média de preços apurada nas quatro semanas imediatamente anteriores numa base móvel.

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