Prédio ameaça desabar no RJ; inclinação chega a 10 graus

Um prédio residencial de quatro andares ameaça desabar em Niterói, na região metropolitana do Rio. Fendas de mais de vinte centímetros de largura nas paredes e janelas com vidros quebrados e esquadrias de alumínio retorcidas no andar térreo do edifício denunciam a inclinação de cerca de 10 graus, que comprometem a estrutura. Por volta das 17 horas de sexta-feira, os moradores começaram a deixar o local e outros dois prédios vizinhos foram evacuados por medida de segurança. A Defesa Civil informou, no final da manhã de hoje, que ainda há chances de estabilizar a construção.Moradores denunciam que uma obra no terreno ao lado para erguer um prédio de 15 andares vem causando problemas na estrutura do Edifício Nossa Senhora de Fátima há cerca de uma semana. "Começaram a aparecer pequenas fissuras, que se transformaram em rachaduras por todas as partes e ontem, depois de um estalo, percebemos que as paredes estavam se deslocando", diz Leila Walker, moradora do apartamento 102, o mais atingido das 12 unidades do prédio.Em menos de um mês, é o terceiro caso do tipo na região: construções comprometidas devido a obras no terreno. O mais grave ocorreu no dia 25 de setembro, quando o Hotel Linda do Rosário, também de quatro andares, efetivamente veio abaixo no Centro da cidade, matando duas pessoas. Há duas semanas, um edifício no Catete, na zona Sul, sofreu inclinação por causa de uma reforma no prédio vizinho.Em Niterói, a área em torno do prédio afetado foi isolada num raio de cem metros e cerca de 60 pessoas estão alojadas em hotéis, com custeio sob responsabilidade da JM Construtora, empresa que estava fazendo a obra civil ao lado. Os moradores lembram que sob o terreno há um lençol freático que estava sendo bombeado para a obra. Com o enxugamento do solo, houve acomodação do terreno que abalou a estrutura do prédio no número 254 da Rua Pereira da Silva. Um representante da construtora, que esteve ontem no local, recusou-se a dar entrevistas.Pela manhã, moradores foram autorizados a entrar no prédio por dez minutos para retirar objetos pessoais, o fornecimento de energia da área foi cortado, por medida preventiva e os técnicos da Defesa Civil iniciaram um trabalho de escoramento da construção. "Pelas informações que temos, apesar da inclinação o prédio pode ser estabilizado, com um trabalho de reposição do material que foi retirado do terreno", disse o coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Adilson Alves de Souza.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.