'Predisposição ao risco é essencial para criar valor'

Líder de empresa de serviços diz que história de sucesso do gestor se mede pelo efeito do seu trabalho na valorização do negócio

Entrevista com

/C.M., O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2012 | 02h07

Aos 46 anos, Marcelo França, afirma: "Eu fui cerca de 70% da minha vida pequeno e médio empresário e 30% executivo stricto sensu". Hoje, ele uniu as duas atividades no comando da Toutatis Aztec Solution (TAS), multinacional resultante da fusão da brasileira Toutatis com a americana Aztec. A companhia se dedica à terceirização de processos de negócios e tecnologia. França é sócio da Performa Partners, que por sua vez é uma das sócias da Toutatis. O perfil empreendedor de França se manifestou cedo ainda no curso de engenharia da Poli, quando fundou, em 1986, uma pequena empresa de cursos de idiomas. Depois de formado, entrou no ramo da construção. Em seguida foi executivo da Blockbuster e, posteriormente, sócio da Domino's Pizza. Depois, criou uma empresa de suprimentos para restaurantes até se tornar novamente executivo, por cinco anos, da Teletec, de serviços de call center. Lá, teve uma experiência internacional. Deixou a organização em 2005 e fundou, em 2006, a Performa. A seguir, trechos da entrevista.

Hoje, sua vida de empresário e executivo estão unidas?

Tem razão. Na Blockbuster e na Teletec os incentivos eram totalmente alinhados com os acionistas. Agora, mudou.

Qual é a diferença?

Acredito que as pessoas com quem trabalhamos não podem mais se dar ao luxo de buscar uma atividade sem risco, se elas querem realmente criar valor. Esta é a grande diferença. Seja via contrato de executivo ou via participação acionária. Criar valor significa correr risco. A predisposição de correr risco ou de valorizar o capital empregado é condição fundamental para criar valor. Alinhamento de interesses é absolutamente fundamental. Imaginar passar a vida trabalhando para uma empresa e fazendo sua atividade sem nenhuma ligação com a performance do seu grupo e da empresa, me parece um modelo em extinção.

Ou seja, o gestor tem de correr riscos dentro desse alinhamento de interesses?

Se quiser efetivamente construir e criar valor, ele precisa aliar risco a benefício. Aliar performance à criação de valor. Estou falando em valor real, e valor real é aquele criado na última linha do negócio, e na valorização que você consegue para o grupo que confiou em você no momento em que lhe disponibilizou capital para você trabalhar. Na minha opinião, a história de sucesso dos gestores, já é assim em alguns países e na minha opinião vai ser muito mais assim no Brasil, é função da história de criação de valor. Muito mais do que da história de outras medidas mais simples, do que da história pessoal, ou de um departamento, mas é o efeito do seu trabalho no valor do negócio.

Que tipo de pessoas você procura para trabalhar com você?

As pessoas que têm sucesso na nossa estrutura são aquelas que pensam como empresário. São pessoas que olham para o cliente, que olham para a estrutura de operação que têm e trabalham como se aquele fosse o seu negócio. Significa estar 24 horas à disposição do cliente, significa entender proativamente o que ele precisa, no que ele pode ajudar se houver alguma dor naquele momento naquela operação. Isso significa, muitas vezes, muitas horas de trabalho, não necessariamente excesso de trabalho, mas estar disponível. E proatividade é o que faz a diferença. Então, são essas as pessoas que eu procuro. E faz uma diferença muito grande. Disponibilidade no setor de serviços, mas não só, é fundamental. E quando falo em proatividade é pensar no cliente, no meu caso, é pensar na empresa, nos clientes como parte do que fazemos. O que eu posso fazer para ajudá-lo mais? Ou se há um problema, eu estou aqui para solucionar. A responsabilidade é minha.

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