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Prefeito de Buenos Aires faz relato dramático

O prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra, fez hoje em São Paulo um dramático relato sobre a situação social da Argentina, deixando perplexo um público de quase 1.200 pessoas que participou da sessão matinal do Congresso Internacional de Cidades, no Anhembi, na zona Norte. "Ainda não sabemos se tocamos o fundo do poço", disse Ibarra, ao abrir a sua apresentação sobre inclusão social, gestão pública e inovação. Hoje, acrescentou o prefeito visivelmente emocionado, "as políticas sociais da Cidade de Buenos Aires passam pela comida, mas isso não deveria ser assim".O prefeito portenho contou que a sua administração passou a distribuir 130 mil pratos de comida por dia, quando esse número não passava de 40 mil alguns meses atrás. "Isso é o mínimo que podemos fazer para que milhares de pessoas não morram de fome." Hoje, continuou seu relato aos participantes do encontro, entre eles o ex-prefeito da Cidade do México Cuauhtémoc Cárdenas, "vemos em Buenos Aires imagens que antes eram vistas somente em países de outros continentes" - barra não disse quais.Crescimento do turismoAlém do relato sobre os problemas econômicos e sociais que a Argentina enfrenta, o prefeito fez ainda um apelo aos participantes do Congresso. "Visitem-nos. Isso certamente será um ato de solidariedade para com o povo argentino, mas não tenham pena de nós", disse. De acordo com Ibarra, quanto mais pessoas visitarem a Argentina será melhor (economicamente) para o país. O Turismo, explicou, é hoje um dos poucos setores que tem perspectivas de crescimento, principalmente com o atual tipo de câmbio (quase 4 pesos por 1 dólar)."Não sabemos quanto tempo vai durar ainda a crise. Tampouco sabemos se irá se agravar mais ainda. Porém, o risco de uma nova explosão social, dada a situação de empobrecimento e desemprego no país, é cada vez mais latente", alertou. Em entrevista à Agência Estado, o prefeito ratificou que a situação econômica da Argentina é dramática. "Não há investimentos, não há crédito, não há credibilidade em nada", afirmou.Embora sem apresentar cifras precisas, Ibarra informou que a arrecadação tributária da Cidade de Buenos Aires vem caindo significativamente desde meados do ano passado, quando as contas fiscais de sua administração ainda estavam bastante equilibradas. De acordo com ele, a queda em dezembro foi de 40% e, desde janeiro deste ano, a arrecadação vem caindo 20% a cada mês, sempre em comparação com o mesmo mês do ano anterior.Cenário crítico"Se a isso somarmos o aumento do desemprego e da pobreza, que já atinge metade dos 36 milhões de argentinos, e o risco da hiperinflação, o cenário social e econômico passa a ser cada vez mais crítico", explicou o prefeito. Apesar de estar em meio a essa crise sem precedentes na história do país, Ibarra fez questão de frisar que a sua administração não se esqueceu de setores considerados primordiais por ele: educação e saúde, que consomem 60% do orçamento da Cidade de Buenos Aires. "Não podemos esquecer dessas duas prioridades, caso contrário, as futuras gerações serão as que vão pagar o preço de tudo que foi mal feito na Argentina", disse.Pouco antes de ser efusivamente aplaudido, o prefeito lembrou que, apesar desses números dramáticos, Buenos Aires ainda está em "melhor" situação que o resto do país. Na entrevista concedida logo depois à Agência Estado, Ibarra disse que em nenhum momento quis dramatizar a situação de seu país. "Apenas relatei a verdade, ou prefeririam que eu mentisse dizendo que está tudo bem?", indagou.Ibarra acrescentou ainda que, antes de recorrer ao Fundo Monetário Internacional, o governo do presidente Eduardo Duhalde deveria ter resolvido seus problemas internamente (corralito e situação do sistema financeiro). "Claramente, o FMI não tem vontade de ajudar a Argentina, pelo menos neste contexto político." O prefeito disse que Buenos Aires, por ser uma cidade autônoma, assinou o pacto fiscal com o governo federal, se comprometendo a reduzir em 60% seu déficit fiscal, que hoje é de aproximadamente 300 milhões de pesos (menos de US$ 80 milhões).Leia o especial

Agencia Estado,

06 de junho de 2002 | 13h51

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