Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Prefeito do Rio nega falta de pagamento para obra da Olimpíada

'Não há contingenciamento dos recursos. O que existe é controle. É tanta roubalheira que todo dia inventam um controle diferente', disse

Mariana Durão e Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

02 Abril 2015 | 11h50

Atualizado às 16h35.

RIO - O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, negou que haja atrasos em repasses nas obras do Complexo Esportivo de Deodoro, que sediará competições dos Jogos Olímpicos de 2016. Segundo ele, a construção do empreendimento está no prazo e será entregue dentro do previsto, até o fim de novembro.

O Consórcio Complexo Deodoro, integrado pelas construtoras Queiroz Galvão e OAS, demitiu nessa quarta-feira 70 funcionários que trabalhavam em período de experiência e 480 receberam nesta quinta, 2, aviso prévio. Outros 550 trabalhadores em período de experiência foram notificados de que a permanência deles nas obras ainda dependia da regularização do repasse de verbas do governo.

Paes acusou a construtora Queiroz Galvão de usar uma estratégia de comunicação "jurássica" para tentar pressionar a Prefeitura a antecipar pagamentos.

"Falta muito para uma empreiteira dar um ultimato em mim. Quem dá ultimato aqui sou eu. É uma farsa para pressionar a Prefeitura", acusou o prefeito.

O Estado teve acesso à ata da reunião em que o consórcio comunicou a decisão de dispensar funcionários por falta de repasses do governo para o andamento das obras. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o governo não foi pego de surpresa pela notícia das demissões. Desde a assinatura do contrato, apenas um repasse, no valor de R$ 60 milhões, teria sido realizado para o consórcio, em janeiro deste ano.

"Óbvio que as empreiteiras gostam de receber no dia seguinte ao que emitem uma fatura. Os recursos estão liberados para a Prefeitura, mas não vamos deixar de cumprir os trâmites burocráticos", disse Paes.

O prefeito do Rio descartou que exista qualquer tipo de contingenciamento de verbas decorrente do ajuste fiscal que vem sendo implementado pelo governo federal que possa atingir as obras da Olimpíada. Paes afirmou que as obras olímpicas são prioridade tanto para a presidente Dilma Rousseff e até mesmo para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

"Não há contingenciamento dos recursos federais para Deodoro. O que existe é controle (antes da liberação). É tanta roubalheira que a gente vê, que todo dia  inventam um controle diferente. Atrasa tudo a não resolve a roubalheira", disse Paes.

Paes contou que, em conversa por telefone na manhã desta quinta, o presidente da Queiroz Galvão afirmou que a informação sobre as demissões contidas na ata de reunião com o governo tinha sido vazada para a imprensa pelo sindicato.

A prefeitura alega que já efetuou repasses de R$ 110 milhões para a obra do Complexo, dentro de um orçamento de R$ 640 milhões. "A obra está no prazo, está em dia, está todo mundo trabalhando", repetiu o prefeito.

Sobre as demissões no canteiro de obras, Paes alega que é natural haver dispensas em grandes obras e que trata-se de uma relação entre empreiteiros e funcionários.

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