Prefeitos da região discutem com empresas medidas para evitar cortes

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) foi a segunda grande empresa do País a anunciar demissões depois do agravamento da crise financeira internacional em meados de setembro, com a quebra do banco americano Lehman Brothers. Após a dispensa de 1,3 mil funcionários feita pela Vale em novembro, a siderúrgica comunicou em dezembro a demissão de 300 empregados. A outros 3 mil funcionários foram concedidas férias coletivas. Locomotiva da economia da região Sul Fluminense, o corte de pessoal é motivo de preocupação para o prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto. De acordo com ele, a siderúrgica emprega cerca de 12 mil pessoas - o mesmo contingente da administração municipal - e mantém contratos de terceirização com mais 9 mil. "Levando-se em conta que a população estimada da cidade é de 300 mil habitantes, fica clara a importância da empresa para a cidade. Com os empregos indiretos, certamente a CSN responde por mais de 10% da ocupação na cidade", calcula Neto. SOLUÇÃO POLÍTICAPara tentar neutralizar o efeito da crise nas cidades da região, os prefeitos de Barra Mansa, Piraí, Volta Redonda, Resende, Itatiaia e Pinhal se reunirão na próxima terça-feira para discutir com as empresas propostas para evitar novos cortes. "Vamos pedir que novas demissões não sejam feitas, pelo menos, nos próximos dois anos. Sabemos que a crise é uma realidade e que todos: poder público, trabalhadores e empregadores terão de ceder", avalia Neto.Antigo defensor das causas dos empregados da siderúrgica, D. Waldir Calheiros diz que a CSN tem rezado a cartilha de "se concentrar os lucros e se dividir os prejuízos". Para ele, a empresa deveria dar preferência nos cortes aos funcionários que estão perto da aposentadoria. "Por que tirar o emprego de um chefe de família?"

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