Nilton Fukuda / Estadão
Nilton Fukuda / Estadão

Prefeitura de São Paulo garante combustível somente até quarta-feira

Estimativa é que 50 a 60% dos estudantes faltaram às aulas na rede municipal nesta terça; Prefeitura avalia decretar feriado nas escolas municipais nesta quarta

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 13h45

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), declarou que há apenas combustível suficiente para garantir a circulação de ônibus na cidade para a terça e a quarta-feira, 30. Segundo ele, o maior “ponto de atenção” neste momento é em relação ao absenteísmo de estudantes e professores da rede municipal. 

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“Ainda no dia de hoje nós vamos avaliar junto com o secretário de Educação se há ou não a necessidade de decretar feriado nas escolas municipais no dia de amanhã, mas, por enquanto, permanecem as aulas na rede municipal de ensino”, declarou Covas.

A Prefeitura abasteceu 37 postos da cidade, que têm prioridade para atender funcionários públicos da Educação e da Saúde mediante a apresentação de documentação. Na prática, a proposta cria uma fila preferencial em paralelo ao público em geral que procurar esses postos. “Com isso, a gente espera diminuir o absenteísmo dos professores”, disse Covas.

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Na segunda-feira, de 40 a 50% dos estudantes faltaram às aulas na rede municipal. Nesta terça-feira, a estimativa é que tenha subido para de 50 a 60%. Dentre os professores, 12% faltaram ao trabalho na segunda-feira.

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Diante de uma possível paralisação dos petroleiros,  a Procuradoria Geral do Município deve ingressar ainda nesta terça-feira com uma ação na Justiça para garantir o abastecimento de combustível para os serviços essenciais da Prefeitura, sob pena de multa.

Fechados desde a semana passada, os Ecopontos voltarão a funcionar nesta quarta-feira. A coleta seletiva segue suspensa desde domingo. 

Ônibus. Às 13 horas, a São Paulo Transporte (SPTrans) divulgou que 64% da frota de ônibus prevista para o horário estava em funcionamento na cidade. Para terça e quarta-feira, as operações ocorrem com de 60 a 70% do total de viagens habituais no horário e 50% no entrepico. Segundo Covas, duas das mais de 1300 linhas de ônibus da cidade não estão em operação.

“A gente teve também uma baixa considerável na demanda por esse serviço”, afirmou.

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Saúde. As cirurgias eletivas seguem suspensas em quatro dos 12 hospitais municipais: Carmino Caricchio (Tatuapé, na zona leste), Tide Setubal (São Miguel Paulista, na zona leste), José Soares Hungria (Pirituba, na zona norte)  M’ Boi Mirim (Jardim Ângela, na zona sul). Também está suspensa a realização de exames de rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

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Desde sexta-feira, 25, o transporte de combustível obtido pela Prefeitura ocorre com apoio de escolta da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Somente na segunda-feira, 43 equipes da GCM fizeram 72 escoltas para 300 caminhões que abastecem postos de combustíveis. Além disso, uma portaria convocou todos os guardas de folga a voltarem ao trabalho. A partir de terça-feira, as equipes de escolta devem aumentar para 83.

O número de postos de uso exclusivo do Município subiu de 14 para 16, lista que não integra a dos 37 prioritários para o funcionalismo público. O abastecimento nesses locais também é destinado a carros da Eletropaulo, da Comgás e da empresa que fornece medicamentos ao Município.

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Caminhões. Covas disse ainda que recebeu na manhã de terça-feira uma ligação do governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que comunicou a reivindicação de manifestantes de que o combustível seja classificado como carga perigosa. O pedido foi atendido e deve ser oficializado em uma portaria. Com isso, caminhões com combustível poderão circular na cidade com menos restrições de área e horário, que ainda não foram divulgadas. “A liberação é sem prazo”, disse Covas.

Além disso, o prefeito voltou a pedir o fim da paralisação dos caminhoneiros. “Queria aqui reforçar o apelo que eu fiz ontem para que a gente volte à situação de normalidade”, declarou. “Toda a população já entendeu a importância e foi solidária ao movimento dos caminhoneiros”, completou.

Rodízio. O rodízio municipal de veículos segue suspenso durante toda a semana. Além disso, um decreto publicado em edição extraordinária do Diário Oficial Cidade de São Paulo desta segunda-feira libera o tráfego irrestrito de caminhões em todas as zonas da cidade e horários até domingo, 3. 

Merenda. Segundo Covas, todos os 3.500 pontos de merenda receberão alimentos não perecíveis nesta terça-feira, dos quais “grande parte” recebeu também frutas, verduras, ovos e legumes, além do gás de cozinha.

Assistência social. A Prefeitura afirma ter estoque de alimentos suficiente para mais uma semana de trabalhos nos centros de atendimento e acolhida da população em vulnerabilidade. Segundo Covas, 350 mil refeições são servidas diariamente nesses locais.

Feiras. Na segunda-feira, 28, a Prefeitura chegou a anunciar que as feiras da cidade seriam concentradas em um ponto por Prefeitura Regional, o que foi acordado com o sindicato dos feirantes. “A gente verificou é que teve uma baixa adesão por parte dos feirantes”, disse. Por isso, a partir de quarta-feira, as feiras ocorrerão nos locais e horários tradicionais, mesmo que com poucas barracas.

Além disso, serviços essenciais que não são prestados pela Prefeitura também são monitorados pelo Comitê de Crise, tais como hospitais privados e supermercados, dentre outros. 

A Secretaria Municipal da Fazenda estima que, desde o início da greve, São Paulo deixou de arrecadar em tributos cerca de R$ 150 milhões, apenas com ISS (imposto sobre serviços).

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