Prefeitura quer evitar favelização

Fábricas atraídas por incentivos fiscais estimulam migração de trabalhadores; faltam moradias populares e infraestrutura em algumas áreas

Cleide Silva, enviada especial, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2015 | 05h00

GOIANA (PE)- A chegada da Jeep movimentou a cidade de Goiana, a 60 quilômetros da capital Recife. “Há mais carros nas ruas, mais gente no comércio, nos restaurantes, nos bares e nas hospedarias”, constata Jorge Jatobá, sócio-diretor da consultoria Ceplan.

Calcula-se que a cidade tenha hoje 82 mil habitantes. Segundo a prefeitura, os dados do IBGE indicam 78 mil moradores, “mas é notória a migração nos últimos anos”.

Além da fábrica da Jeep, a maior da região, outras empresas estão chegando, atraídas por incentivos. Goiana vai abrigar um polo vidreiro, capitaneado pela Vivix, e um polo farmacoquímico, liderado pela Hemobrás. Já na vizinha Itapissuma está sendo constituído um polo cervejeiro, que nos próximos dias ganhará a unidade do grupo Petrópolis, fabricante da marca Itaipava.

Goiana e as vizinhas mais próximas, Igarassu e Itapissuma, tem 48,6% do Produto Interno Bruto (PIB) originários da indústria. Até 2011, era o segmento de açúcar e álcool que engrossava essa participação. No últimos anos, com a crise no setor sucroalcooleiro, muitas usinas fecharam e novos indicadores devem apontar presença menor desse setor na economia local.

Bairro planejado. Muitos canaviais estão desaparecendo, dando lugar a obras civis, como a fábrica da Jeep e um bairro planejado, o primeiro de Goiana, que está sendo construído numa área de 50 hectares, por muitos anos dominada pela cana.

O empreendimento, voltado à classe média, terá 22 prédios com 64 apartamentos cada, 105 lotes para casas térreas, um shopping center, um hotel e um centro empresarial.

Liderado pelo grupo pernambucano Paradigma, em parceria com as empresas AWM, CA3 e Malus, terá investimento de R$ 1 bilhão, segundo o gestor administrativo e financeiro do projeto, Heveraldo Sobral.

Em 2012, o Paradigma planejou um empreendimento apenas com lotes, sem nenhuma infraestrutura. “Com a chegada da Fiat Chrysler, o projeto foi alterado para um bairro planejado”, informa Sobral. A primeira etapa é a venda dos lotes, a R$ 116 mil cada, e 82% já foram comercializados.

A prefeitura de Goiana reconhece a falta de moradias populares, assim como de infraestrutura em várias áreas, mas diz que trabalha para evitar que se repita na cidade a favelização ocorrida em Betim (MG), após a instalação da Fiat, nos anos 70.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.