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Prefiro perder de 1 a 0

Se aguentarmos até o intervalo, dá para virar o resultado do desemprego no segundo tempo

Hélio Zylberstajn*, O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2020 | 04h00

Ontem, com a divulgação dos dados do Caged, verificamos que a pandemia deixou 1,1 milhão de trabalhadores desempregados, 3% dos empregos do setor formal privado (não houve nenhuma perda no setor público).

Não sei se o estrago poderia ter sido evitado, mas tenho certeza que teria sido maior se não estivessem em vigor as MPs 927 e 936. Em síntese, elas permitem que, por meio de acordo individual, as empresas suspendam o contrato de trabalho e/ou reduzam proporcionalmente a jornada e o salário. Permitem ainda que antecipem férias, ajustem o banco de horas e desloquem os empregados para trabalhar em casa.

Para fortalecer a posição dos trabalhadores na negociação, o governo aporta uma “ajuda compensatória”, que mantém a renda dos que ganham até três salários mínimos. O resultado das duas MPs é expressivo: até o momento, a negociação individual preservou emprego e renda de 8,2 milhões. Por outro lado, 300 mil trabalhadores tiveram igualmente emprego e renda preservados por meio de negociações coletivas (de acordo com o Salariômetro da Fipe).

Porém, no segmento informal, no qual os trabalhadores são muito vulneráveis, a pandemia deixou repentinamente muitos sem ocupação e sem renda. Para socorrê-los, as MPs criaram o benefício emergencial de R$ 600. Tudo somado, mantivemos 24% dos empregos formais privados e 40% da massa de rendimentos dos trabalhadores formais e informais do setor privado. Poderíamos ter levado outro 7 a 1. Estamos perdendo só de 1 a 0. Se aguentarmos até o intervalo, dá para virar no segundo tempo.

*PROFESSOR SÊNIOR DA FEA/USP E COORDENADOR DO PROJETO SALARIÔMETRO DA FIPE

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