Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Prejuízo com roubo de carga soma R$ 1 bilhão em 2013 e deve crescer neste ano

Delito cresce desde 2010 e somou 15.153 ocorrências no ano passado, uma alta de 5,3% sobre 2012

Gustavo Porto, O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2014 | 19h10


Após superarem R$ 1 bilhão em 2013, alta de 7% ante o valor registrado no ano anterior, os roubos de cargas terão novo aumento em 2014, de acordo com previsão da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). Estudo da entidade das empresas do setor obtido pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, aponta que a quantidade desse tipo de delito cresce desde 2010 e atingiu 15.153 ocorrências no ano passado, alta 5,3% sobre 2012.

O prejuízo com os roubos de carga poderia ser o dobro se fossem computados 3,2 mil veículos - ou 21% do total de registros - levados junto com as mercadorias e que não foram recuperados pelas companhias. Segundo Paulo Roberto de Souza, assessor de Segurança da NTC&Logística e responsável pelo estudo, o acompanhamento atualizado de roubos de cargas nos Estados com mais ocorrências - São Paulo (52,5% dos casos) e Rio de Janeiro (23,3%) - aponta para um novo crescimento este ano.

Segundo o assessor, dados dos dez primeiros meses deste ano apontam que São Paulo superou 700 roubos de carga por mês, ante uma média mensal de 540 em 2013. Para o coordenador da pesquisa da NTC&Logística, São Paulo concentra os dois perfis de roubos de carga. O primeiro são os feitos pelo crime organizado, com quadrilhas especializadas envolvendo que superam R$ 1 milhão. "Esse tipo de ação tem apoio de grandes receptadores, prioriza equipamentos eletrônicos, produtos farmacêuticos e pneus e ocorre muito na região de Campinas", exemplificou Souza.

Outro tipo é o chamado roubo de oportunidade - ou pequeno delito - e tem como exemplos citados pelo especialista as ações contra utilitários de entrega de cargas de cigarro no comércio. "Os roubos de até R$ 30 mil são 80% dos casos registrados", afirmou.

Esse tipo de ação de menor valor se tornou muito comum no Nordeste, onde o total de roubo de cargas cresceu 45% entre 2012 e 2013, maior aumento porcentual entre todas as regiões. Uma prova de que os roubos de menor valor cresceram na região Nordeste é o fato de o prejuízo das empresas ter caído 2,7% entre os períodos, para R$ 60,68 milhões em 2013.

Para Souza, o maior problema do setor é a legislação branda para os criminosos envolvidos no roubo de cargas, que normalmente são enquadrados por receptação de mercadorias e têm pena prevista de um a quatro anos de prisão. "Pela lei 12.403, que alterou o Código Penal em 2011, esse crime é de menor potencial ofensivo e o acusado é indiciado, paga fiança e espera o processo em liberdade", disse. "A expectativa do setor é de que o projeto do novo Código Penal que tramita no Congresso Nacional agrave esse tipo de crime." 

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