Prejuízo dá força à privatização da Eletrobrás

Cabe ao governo mobilizar a base aliada e afastar os obstáculos à privatização, que não são só de cunho ideológico

O Estado de S.Paulo

05 Abril 2018 | 03h00

Travado no Congresso, o projeto de privatização da Eletrobrás pode ganhar alento com a divulgação do prejuízo de R$ 1,7 bilhão em 2017 e de R$ 28 bilhões em seis anos, como mostrou o Estado. Bastaria essa informação para mostrar à opinião pública que a Eletrobrás representou, nos últimos anos, um sorvedouro de recursos públicos, em benefício de feudos políticos que se serviram da estatal durante a administração lulopetista. Mas os adversários da privatização tentam retardar a venda da empresa, por maiores que tenham sido os cuidados do governo Temer quanto à preservação do patrimônio público.

O prejuízo registrado pela estatal em 2017 se deveu, em sua quase totalidade, ao segmento de distribuição, que mostrou um déficit de R$ 4,17 bilhões. Entre as controladas da Eletrobrás estão as concessionárias de distribuição das Regiões Norte e Nordeste, onde se concentram os problemas. Ao contrário do que ocorreu na Petrobrás, não bastou a indicação de gestores com experiência privada para dar um novo rumo à empresa, obrigada a fazer vultosas provisões operacionais relativas a empréstimo compulsório e impairment (redução do valor recuperável de ativos) em seu balanço.

O projeto de privatização da Eletrobrás é parte da agenda econômica prioritária do governo Temer, mas avança lentamente na Câmara dos Deputados. Parte do problema, segundo o relator, deputado José Carlos Aleluia, decorre da desarticulação da base aliada do governo. As resistências vêm mais das bancadas do Nordeste e de Minas Gerais, onde estão subsidiárias da Eletrobrás. A privatização também sofre questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU) e na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Junior, prepara a estatal para a privatização. Sua gestão recuperou receitas e melhorou os resultados operacionais, mas decisões administrativas incomodam os políticos que se serviam da estatal para indicar amigos e parentes. Foram demitidos 100 funcionários que trabalhavam em cargos comissionados por indicação política. Caiu de 2,1 mil para cerca de 1,3 mil o número de funcionários concursados que ocupavam cargos com direito a gratificações.

Cabe ao governo mobilizar a base aliada e afastar os obstáculos à privatização, que não são só de cunho ideológico.

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