Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Dólar faz prejuízo da Gol disparar 770% no 3º trimestre

No acumulado de nove meses, a companhia aérea registra prejuízo de R$ 3,16 bilhões, aumento de 550,1% do resultado em 2014

Renato Carvalho e Victor Aguiar, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2015 | 08h29

Atualizada às 11h35

SÃO PAULO -  A Gol registrou prejuízo líquido de R$ 2,13 bilhões no terceiro trimestre de 2015, perda 770,4% maior que a apurada no mesmo período do ano passado, de R$ 245,1 milhões. Em nove meses, a companhia aérea acumula prejuízo de R$ 3,16 bilhões, aumento de 550,1% em relação aos R$ 486,3 milhões de resultado negativo em 2014.

No relatório de resultados, a Gol explica que do total de prejuízo entre julho e setembro, R$ 1,44 bilhão, ou 67,5% dos R$ 2,133 bilhões, são referentes a variações monetárias e cambiais líquidas. A marcação a mercado dos passivos financeiros da companhia foi feita com o dólar a R$ 3,97, contra R$ 3,10 no segundo trimestre do ano, variação de 28,1%.

A Gol lembra que cerca de 50% das despesas operacionais e 86,8% dos passivos financeiros da companhia, incluindo aeronaves, são denominados em dólar. Entre julho e setembro, a cotação da moeda americana entre a mínima e a máxima variou 37,3%. Em relação ao terceiro trimestre de 2014, a variação foi de 55,5%. As despesas operacionais da companhia chegaram a R$ 2,48 bilhões no trimestre, aumento de 7,4% em relação ao ano passado.

O Ebitdar (lucro antes de juros, impostos, amortização, depreciação e custos de reestruturação) fechou o trimestre em R$ 377,5 milhões, queda de 18,4% em relação aos R$ 462,8 milhões do mesmo período de 2014. Em nove meses, o indicador soma R$ 937,1 milhões, contra R$ 1,33 bilhão do ano passado, recuo de 29,6%. A margem Ebitdar recuou de 18,8% para 15,2%, em 12 meses.

O Ebitda da Gol ficou em R$ 113,6 milhões no terceiro trimestre de 2015, queda de 56,6% ante o mesmo período de 2014. De janeiro a setembro, o Ebitda acumulado ficou em R$ 214,2 milhões, queda de 69,5%. A receita operacional líquida da companhia aérea ficou em R$ 2,489 bilhões entre julho e setembro, crescimento de 1,1%. Em nove meses, houve queda de 2,9%, para R$ 7,126 bilhões. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,702 bilhão, contra R$ 434,9 milhões negativo no mesmo período do ano passado.

A dívida líquida da Gol chegou a R$ 6,415 bilhões ao final de setembro, um crescimento de 91,3% em relação a setembro de 2014. Quando somado o valor de arrendamento de aeronaves, o valor ajustado da dívida líquida chegou a R$ 12,998 bilhões, crescimento de 41,2% em 12 meses. A relação dívida líquida ajustada/Ebitdar passou de 4,9 vezes em setembro de 2014 para 9,2 vezes neste ano.

Redução de oferta. O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, afirmou em teleconferência com jornalistas que a companhia diminuirá a oferta doméstica de voos entre 5% e 7% no quarto trimestre de 2015 ante o mesmo período de 2014, de modo a atingir o guidance de redução de 1% da oferta doméstica no acumulado de 2015.

"Estamos passando por um processo de readequação da malha, com maior velocidade na mudança no número de destinos e frequências que a companhia opera, em busca de respostas ainda mais rápidas às variações do mercado", disse Kakinoff, destacando que a volatilidade momentânea do mercado faz com que exista a necessidade de mudanças frequentes na dimensão e desenho da malha.

As mudanças dizem respeito à inclusão de novos voos, rotas e destinos, bem como alterações de frequências e cancelamentos de destinos impactados pela alta do dólar e desaceleração da economia brasileira. Kakinoff ainda ressaltou que a companhia promove outras medidas para ajudar a reverter o cenário de dificuldades enfrentado ao longo do ano, como a ampliação do processo de subleasing de aeronaves em 2016 durante a baixa temporada, sendo 12 no total, ante 7 em 2015.

Internacional. Em relação à oferta internacional, a Gol promoverá uma redução de 7% a 8% no quarto trimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo Kakinoff. Entre as mudanças na malha internacional, estão a operação de maneira sazonal dos voos para Miami e Orlando, nos Estados Unidos, a partir de 19 de fevereiro.

Em relação à abertura de novos destinos internacionais, o executivo destacou o planejamento para o início das operações em Havana, Cuba, que devem ter início em meados de 2016, e novas operações diretas para a Argentina a partir de cidades da região Nordeste.

Tudo o que sabemos sobre:
Golbalançoprejuízo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.