Prejuízo da Varig cresce 1.594% em 2005

A Varig registrou prejuízo líquido de R$ 1,476 bilhão em 2005, o que representa um aumento de 1.594% sobre o prejuízo de R$ 87,167 milhões apurado em 2004. A receita líquida (montante que a empresa efetivamente recebe pelas vendas de seus produtos) caiu 11,12%, para R$ 6,644 bilhões. O lucro bruto (diferença entre a Receita Líquida e o Custo dos Produtos Vendidos) ficou em R$ 1,133 bilhão, com baixa de 42,83%. O resultado da atividade (ebitda) ficou negativo em R$ 97,928 milhões no ano passado, ante resultado positivo de R$ 453,355 milhões em 2004.As despesas financeiras líquidas (pagamento de juros) caíram 28,23%, para R$ 393,180 milhões. A Varig contabilizou outros R$ 673,824 milhões como "outras despesas operacionais líquidas". O prejuízo operacional (resultado apenas da atividade primária da empresa) atingiu R$ 1,291 bilhão, com aumento de 1.686%.Em 31 de dezembro, a companhia tinha um passivo a descoberto de R$ 7,920 bilhões. Os dados são da controladora (não incluem Nordeste e Rio Sul), conforme a legislação societária brasileira.EndividamentoO endividamento da Varig em 31 de dezembro de 2005 era de R$ 5,809 bilhões. A dívida com o governo soma 64% deste total, incluindo estatais (Receita Federal, INSS, Infraero, Petrobras e Banco do Brasil), somando R$ 3,634 bilhões. O Aerus (fundo de pensão) é credor de 18% do endividamento, o equivalente a R$ 1,086 bilhão; a General Electric (fornecedora de aviões e motores) é credora de 4% da dívida, ou R$ 261 milhões. Outros credores detêm 14% da dívida.Em relatório que acompanha o balanço financeiro, a Varig informa que tem créditos do ICMS a recuperar no valor de R$ 1,329 bilhão. Menciona também uma ação judicial contra o governo federal que cobra prejuízos por defasagem tarifária no total de R$ 3 bilhões. No fim do ano passado, a Varig tinha 11,9 mil funcionários (308 no Exterior).Crise da empresaO procurador-geral da Fazenda Nacional, Manoel Felipe Brandão, reuniu-se hoje com um grupo de autoridades envolvidas nas negociações em torno da recuperação da Varig e disse-lhes que não criará obstáculos ao processo. Participaram do encontro o juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio, Luiz Roberto Ayoub, e representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dos ministérios da Casa Civil e da Defesa, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da consultoria Marsal e Alvarez.Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda, a reunião serviu para "troca de opiniões e conhecimentos". Mas o ministério não informou quais foram as opiniões apresentadas por Brandão. O procurador informou apenas, por meio da assessoria, que disse ao juiz do Rio que "não criará nenhum obstáculo para a condução do processo de recuperação da Varig, porque se trata de um assunto de governo."

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