Nacho Doce/Reuters
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Efeito câmbio e crise dos Estados fazem prejuízo da Oi alcançar R$ 3,3 bi

Operadora atribuiu perdas principalmente ao impacto negativo da desvalorização do real no resultado financeiro; uma das maiores fornecedoras de serviços de telecomunicações para governos, empresa perdeu receita em função do atraso de pagamentos

Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2017 | 20h13

RIO - Em meio ao maior processo de recuperação judicial da história do País, o prejuízo da operadora de telefonia Oi chegou a R$ 3,3 bilhões e disparou 302% no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2016. A companhia atribuiu o resultado negativo ao impacto do câmbio em seu resultado financeiro. A crise fiscal nos Estados, especialmente no Rio de Janeiro, também foi uma das vilãs do desempenho da empresa, com efeitos em suas receitas.

“A maioria dos Estados teve redução dos serviços (contratados) e atrasos nos pagamentos, mas no Rio de Janeiro é o cenário mais grave”, afirmou o presidente da Oi, Marco Schroeder, em entrevista ao Estadão/Broadcast. As receitas líquidas de serviços da tele tiveram retração de 8,4% na comparação anual, puxada pela queda de 15% no segmento B2B (contratos com empresas e governos).

A Oi é uma das maiores fornecedoras de serviços de telecomunicações para governos de Estados e municípios. “Muitos governos estaduais e prefeituras têm rede Oi e a crise fiscal é de grande proporção”, disse.

Rio de Janeiro. Sobre o Rio, o executivo diz que a empresa tem sido bastante flexível nas negociações. “Continuamos tentando buscar alternativas, mas é um cliente com situação delicada”, disse. Procurada, a Secretaria de Estado de Fazenda do Rio informou que está parcelando as dívidas com as concessionárias, conforme lei.

No caso do efeito do câmbio no resultado financeiro, Schroeder explicou que a operadora continuou contabilizando os juros e a variação cambial da dívida ao longo do processo de recuperação judicial, independente do pagamento. “Tem uma parcela muito grande da dívida em moeda estrangeira”, afirmou

Caixa. O executivo destacou que neste segundo trimestre houve desvalorização do real frente ao dólar e o euro. “Mas isso não impacta o caixa, só oscila despesa financeira”, disse.

Na ponta positiva, a empresa conseguiu controlar despesas. Oi reduziu custos em R$ 687 milhões no trimestre, sendo que os cortes totalizaram R$ 1,2 bilhão no primeiro semestre de 2017. Também houve melhora no desempenho operacional.

O EBIT (resultado antes dos resultados financeiros e impostos) foi de R$ 205 milhões no trimestre, contra um prejuízo de R$ 153 milhões no segundo trimestre de 2016. “Isso mostra uma melhora do resultado operacional da Oi”, afirmou Schroeder. “Isso é o mais importante neste momento em que estamos no processo de recuperação judicial.”

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Sobre o andamento desse processo, Schroeder afirmou que o juiz responsável e o administrador judicial da recuperação judicial sinalizaram que a assembleia de credores deve ocorrer nos primeiros dias de outubro. A previsão inicial da companhia era que a reunião que irá votar o plano ocorresse em setembro.

A Oi tem 55 mil credores e dívida de R$ 64 bilhões.

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