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Premiê britânico propõe referendo sobre saída da UE

David Cameron quer renegociar termos de adesão ao bloco e pede mais flexibilidade aos parceiros europeus.

BBC Brasil, BBC

23 de janeiro de 2013 | 09h03

O primeiro-ministro David Cameron anunciou nesta quinta-feira sua disposição em convocar um referendo sobre a permanência ou não da Grã-Bretanha na União Europeia (UE), após uma renegociação dos termos de adesão ao bloco.

Em um aguardado pronunciamento sobre o tema, Cameron disse que não quer a saída da União Europeia. Ele anunciou, no entanto, que caso vença as próximo eleições (que deverão ocorrer até 2015), os termos serão renegociados e então apresentados aos britânicos, que dirão se aceitam e permanecem no bloco ou preferem a saída deste.

"Eu quero que a União Europeia seja um sucesso e quero uma relação entre a Grã-Bretanha e a UE que nos mantenha dentro (do bloco)", disse.

"É hora do povo britânico dizer sua opinião", disse. "É hora de colocar a questão europeia na política britânica. Eu digo ao povo britânico: esta será a sua decisão".

'Escolha muito simples'

Cameron fez o discurso após pressão de seu Partido Conservador, historicamente avesso a uma maior integração europeia e agora sob risco de perder terreno e votos para o Ukip (Partido da Independência), que prega o divórcio com a União Europeia.

Cameron disse que a "desilusão" com a UE é grande e que é hora de debater o tema.

"Por isso sou a favor do referendo". "Acredito na confrontação do tema, dar forma a isso e liderar o debate", disse.

Os termos da negociação, disse Cameron, estarão nas propostas de seu partido para as eleições.

"Vamos pedir um mandato do povo britânico para um governo conservador negociar uma nova relação com nossos parceiros europeus", disse.

Riscos

Cameron disse que a Grã-Bretanha conseguiria sobreviver à vida fora da UE, mas conclamou os britânicos a "pensar com muito cuidado" sobre o risco de uma empreitada solo, suas implicações para o desempenho econômico do país e o seu papel no cenário geopolítico internacional.

"Se deixarmos a União Europeia, esse será um bilhete só de ida, não de volta", disse.

O primeiro-ministro minimizou as críticas de lideranças europeias que argumentam ser impossível renegociar os termos de adesão ao bloco.

Reações

Um porta-voz do Partido Trabalhista, tradicional rival dos conservadores e pró-Europa, criticou o pronunciamento de Cameron, que "se mostrar um primeiro-ministro fraco, direcionado por seu partido e não pelos interesses econômicos nacionais".

O líder do Ukip, Nigel Farage, disse que "o gênio está fora da lâmpada" e que "começa hoje" o trabalho do partido para convencer os britânicos a votar pela saída do país no referendo.

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, foi irônico ao comentar a renegociação dos termos de adesão britânica.

"Não se pode fazer uma Europa à la carte", disse. "Imagine a Europa como um time de futebol. Você não pode entrar no jogo e dizer: 'Vamos jogar rúgbi?'".

Já o ministro das Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, disse que "flexibilidade soa bem, mas se você abrir isso a uma Europa movida por 27 (membros), no final isso será uma grande bagunça". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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