Ruben Sprich/Reuters
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Premiê chinês diz que não quer ver guerra cambial

Li Keqiang afirmou que a China não pretende desvalorizar sua moeda para incentivar exportações; governo anunciou política fiscal 'mais vigorosa' para estimular o crescimento econômico

O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2015 | 09h31

A China não tem intenção de desvalorizar o yuan para fortalecer suas exportações e não quer ver uma guerra cambial, afirmou o primeiro-ministro Li Keqiang nesta quarta-feira, 9, em uma reunião do Fórum Econômico Mundial com empresários em Dalian, segundo a agência estatal Xinhua.

"Nós não queremos desvalorizar o yuan para impulsionar as exportações", disse Li no evento, segundo a Xinhua. Em agosto, o país desvalorizou sua moeda em 2%, o que segundo economistas pode ajudar a impulsionar suas exportações em um momento de demanda externa fraca.

Li disse que a China conteve com sucesso potenciais riscos sistêmicos financeiros, diante da turbulência no mercado doméstico de ações em junho e julho.

O premiê afirmou ainda que os riscos de dívida do país são "controláveis", com o nível de endividamento "relativamente baixo". O premiê afirmou que a dívida do governo central é de apenas 20% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês, enquanto 70% da dívida dos governos locais se dá na forma de investimentos, com retornos esperados.

A autoridade também avaliou que a economia chinesa está ainda "dentro de uma faixa razoável" de crescimento e que é normal haver alguns dados mais fracos eventualmente. A China usará mais medidas específicas para apoiar o crescimento, segundo ele, que acrescentou estar confiante sobre a perspectiva econômica.

En vez de ser uma fonte de riscos financeiros globais, a China permanece como um dos motores do crescimento mundial, afirmou Li. 

Medidas. O Ministério de Finanças da China anunciou que vai implementar uma política fiscal "mais vigorosa" para estimular o crescimento econômico do país, que sofre pressões de baixa e há tempos dá sinais de desaceleração.

Em comunicado, o ministério informou que vai destinar mais recursos para apoiar alguns projetos de infraestrutura e promover cortes de impostos para pequenas empresas. O órgão também disse que vai acelerar o processo de aprovação de lojas livres de tributos, numa tentativa de impulsionar o setor de construção.

Além disso, o ministério irá emitir cotas de dívida para governos locais, após o endividamento dessas administrações ter sido limitado este ano a até 16 trilhões de yuans (US$ 2,5 bilhões).

Para ajudar a aliviar as dívidas de governos locais, Pequim aprovou um programa de swap, no valor de 3,2 trilhões de yuans, que permite a venda de novos bônus para substituir papéis antigos e mais dispendiosos.

Também no comunicado, o ministério informou que, no último dia 27 de agosto, os governos locais haviam levantado 1,82 trilhão de yuans por meio de emissões de dívida. Isso equivale a 48% da cota total permitida pelo governo central, sugerindo que há mais espaço para os governos levantarem fundos.

No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) da China teve expansão anual de 7,0%, a menor em seis anos. Além disso, indicadores de julho e agosto indicaram mais fraqueza na segunda maior economia do mundo, apesar de uma série de cortes de taxas de juros do banco central chinês e de outras políticas de incentivos.

Analistas têm defendido que Pequim adote uma política fiscal mais pró-ativa no restante do ano para dar um estímulo adicional à economia. (Com informações da Dow Jones Newswires).

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