Premiê de Portugal diz que crise vai passar

Mercado não está otimista, bolsa despenca, bônus disparam e já se fala em novas eleições

LISBOA, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2013 | 02h09

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, está confiante que os dois partidos da coalizão governamental vão ultrapassar "muito rapidamente" a atual crise política, que derrubou a Bolsa de Valores de Lisboa e fez disparar o rendimento da dívida soberana.

Em coletiva em Berlim, o premiê português disse que o país tem feito tudo para cumprir com sucesso o programa de ajuste fiscal. "Portugal tem conseguido estabilidade política para ultrapassar dificuldades econômicas e financeiras."

O líder do Centro Democrático e Social - Partido Popular (CDS-PP), Paulo Portas, que apresentou sua demissão do cargo de ministro de Relações Exteriores e provocou uma crise política, vai negociar com Passos Coelho, que além de primeiro-ministro é líder do PDS,para garantir a governabilidade, disse o presidente da mesa do Congresso do CDS-PP, Luis Queiró.

O premiê não aceitou a demissão de Portas e reafirmou que não abandonará a chefia do Executivo. Líder do CDS-PP, partido crucial para a coligação governamental manter o apoio da maioria do Parlamento, Portas tem manifestado publicamente discordância com várias medidas de austeridade.

Mais baixas. A imprensa portuguesa noticiou ontem que a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, e o ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, ambos do CDS-PP, menor partido da coalizão governista, também vão apresentar demissão.

O presidente da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, José Manuel Durão Barroso, alertou que "a reação inicial dos mercados mostra o risco óbvio de que a credibilidade financeira recentemente construída por Portugal possa ser prejudicada pela atual instabilidade política".

Vácuo político. O analista António Garcia, do Barclays, vê "eleições antecipadas como o mais provável resultado". Para Steen Jakobsen, economista-chefe do Saxo Bank, o governo de Pedro Passos pode cair nas próximas 48 horas. A previsão foi feita pelo economista-chefe do Saxo Bank, Steen Jakobsen. "Sob forte pressão econômica pela falta de crescimento, setor público inchado e mais de uma década de estagnação da economia, Portugal provavelmente verá a queda de seu governo nas próximas 48 horas", diz o economista dinamarquês em relatório a clientes.

A atual crise política acontece às vésperas da oitava revisão regular do resgate feito à Portugal pela UE, que terá inicio formal no dia em 15.

O principal índice de ações da Bolsa de Lisboa desabou mais de 5% ontem, enquanto o retorno dos bônus de Portugal chegaram a disparar acima de 8% no maior patamar desde novembro de 2012. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS E FERNANDO NAKAGAWA

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