Premiê grego e Merkel voltam a negociar

País está quase sem dinheiro, mas União Europeia exigirá novas medidas para liberar parcela de 72 bilhões de euros do pacote de ajuda à Grécia

O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2015 | 02h03

BRUXELAS - Os ministros de Finanças da zona do euro não vão estabelecer qualquer prazo para a Grécia apresentar reformas e conseguir mais verbas, porque tais prazos levam a disputas arriscadas, disse uma autoridade sênior da zona do euro ontem. No entanto, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, vai se reunir com a chanceler alemã, Angela Merkel, em uma cúpula da União Europeia sobre migração amanhã e a expectativa é que os dois discutam a crise de financiamento.

A Grécia, que está ficando rapidamente sem dinheiro, prometeu aos seus parceiros da zona do euro em fevereiro que, até o fim deste mês, entraria em acordo com os credores sobre uma lista abrangente de reformas para obter 72 bilhões que ainda restam de seu pacote de resgate. Autoridades da zona do euro esperavam que a lista fosse apresentada aos ministros das Finanças da zona euro na sexta-feira em Riga. Isto permitiria um desembolso mais rápido de recursos para a Grécia, ajudando a evitar que o endividado país dê calote nas amortizações de empréstimos em 12 de maio.

Mas nenhum pacote estará pronto até lá e também é pouco provável que fique pronto até o fim do mês, principalmente porque nas últimas semanas a Grécia não tem fornecido dados financeiros que os credores buscam e não tem dito claramente quais reformas planeja.

Encontro. O encontro entre Tsipras e Merkel será o terceiro entre as lideranças desde que ele assumiu o poder, no fim de janeiro. A Grécia continua, porém, em um impasse com seus credores europeus - liderados pela Alemanha - sobre o programa de ajuda de 240 bilhões (US$ 258,4 bilhões).

Negociações entre representantes do governo grego e seus credores internacionais - a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI)- continuam em Paris, porém, enquanto isso, as reservas do governo grego seguem diminuindo. Os dois lados seguem longe de um acordo, segundo um graduado funcionário da zona do euro.

Falando em Viena, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, instou a Grécia a intensificar os esforços para chegar a um acordo, advertindo que as negociações não estão avançando o suficiente para encontrar uma solução rápida.

Um funcionário de alto escalão da zona do euro, envolvido nas conversas, disse que houve alguma melhora nas negociações muito recentemente, mas não o suficiente para um acordo. "Há claramente um aumento da atividade, no envolvimento, mas estamos de forma significativa longe de um sinal de que o resultado está à vista", disse a autoridade. "(Mas) a utilização de prazos, o que leva a certa atitude temerária e emoção desnecessária, não será feito novamente."

O líder da comissão disse ainda que, embora "não possa fechar seus olhos para a grande parcela da população cada vez mais afetada pela pobreza", não é "possível apoiar a Grécia a todo o custo". Juncker classificou as negociações como muito difíceis e afirmou que estas têm durado tempo demais. "Eu preferia lidar com outras coisas", disse. / Agências Internacionais

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