REUTERS/Alkis Konstantinidis
REUTERS/Alkis Konstantinidis

Premiê grego renuncia ao cargo e deve se candidatar em eleições antecipadas

Pleito deve ocorrer em 20 de setembro; Tsipras deve tentar retornar ao poder numa posição mais forte após uma divisão dentro de seu partido enfraquecer o governo

O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2015 | 12h24

Texto atualizado às 18h30

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, entregou seu pedido de renúncia ao cargo nesta quinta-feira, 20. A divisão em seu partido - o Syriza - enfraqueceu o premiê. Tsipras disse que tomou a decisão para pavimentar o caminho para eleições antecipadas, afirmando que cabe aos gregos julgarem se ele os representou adequadamente na batalha com credores estrangeiros sobre demandas de austeridade. "O mandato político das eleições de 25 de janeiro esgotou os seus limites e agora a população grega deve ter a sua voz ouvida", afirmou em pronunciamento de televisão.

Tsipras deve se candidatar para as próximas eleições e pode conseguir retornar ao poder numa posição mais forte, sem que os membros mais radicais do seu partido se oponham ao acordo da Grécia com credores internacionais.

Em rede nacional, ele disse que convocou eleições porque está em busca de um "claro mandato para um governo forte". Ele disse ter uma " obrigação moral e política" de deixar os eleitores decidirem quem deveria ser o líder do país nesta "nova era esperançosa". Eleito em janeiro deste ano, Tsipras pediu a convocação de novas eleições na data mais próxima o possível. Fontes do governo disseram que o objetivo é realizar o pleito em 20 de setembro.

A consultoria política Eurasia aposta que Alexis Tsipras deverá voltar para o cargo nas próximas eleições. Segundo o analista Mujtaba Rahman, as primeiras pesquisas de intenção de voto sugerem que o agora ex-premiê é o favorito para se tornar, mais uma vez, o primeiro-ministro do país.

As estimativas da Eurasia indicam que o cenário mais provável, com 25% de chance, é de uma aliança entre os membros do Syriza favoráveis ao acordo e o partido PASOK. O segundo cenário mais provável, com 20% de chance, prevê uma coalizão com o Gregos Independentes. Com o mesmo porcentual, há também a alternativa de uma maioria absoluta formada apenas por membros do Syriza.

Os membros do Syriza que são contra o acordo devem conseguir uma votação popular entre 5% e 6% do total, estima a Eurasia. Também existe a possibilidade de que Yannis Varoufakis, ex-ministro de Finanças do país, crie seu próprio partido para participar das eleições.

Tsipras tem enfrentado oposição de seus próprio partido em relação ao último programa de ajuda financeira ao país, de US$ 86 bilhões, que foi aprovado pelo Parlamento grego na semana passada após uma maratona de debates. O acordo entrou em vigor nesta quinta, garantindo à Grécia o necessário financiamento para a quitação da dívida de € 3,4 bilhões junto ao Banco Central Europeu (BCE).

Tsipras levará os eleitores gregos às urnas pela segunda vez desde que foi eleito, em janeiro. No plebiscito de 5 de julho sobre a proposta de austeridade dos credores da Grécia, a vitória foi do "não".

Já se esperava que o premiê convocasse eleições antecipadas depois de desgastantes sete meses no cargo, quando a Grécia esteve à beira do colapso e de deixar a zona do euro e se viu forçada a fechar seus bancos por três semanas para sobreviver à batalha com os credores estrangeiros.

(Com informações da Dow Jones e Reuters)


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