Premiê grego sai de mãos vazias de Berlim

Samaras pede mais tempo para ajustes, mas Merkel quer ver relatório da troica

BERLIM, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h08

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, assegurou ao primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, que quer a permanência do país na zona do euro, mas ela não deu sinais de que atendará aos pedidos gregos por mais tempo para cumprir os rígidos termos do resgate internacional de Atenas.

"O euro é mais do que uma moeda, é uma ideia, e por isso é tão importante", disse Merkel em entrevista à imprensa ao lado de Samaras.

O premiê grego, por sua vez, disse que a Grécia pretende cumprir suas obrigações e está no caminho certo para fazer isso. Ele deixou claro que estava pedindo a Berlim e Paris mais "ar" para implementar as reformas, e não mais dinheiro, para atingir os resultados e reduzir o déficit fiscal. "Não estamos pedindo mais dinheiro. Estamos pedindo para respirar durante esse mergulho que estamos dando."

Mas o máximo que Samaras conseguiu da chanceler alemã foi a promessa de que "julgamentos prematuros não serão feitos, mas haverá espera por evidências confiáveis". Ela se referia ao relatório da "troica" de credores internacionais da Grécia.

Samaras deve receber a mesma resposta do presidente francês, François Hollande, em Paris amanhã. Hollande e Merkel coordenaram posição em relação à Grécia durante um jantar em Berlim na quinta-feira. Os dois insistem que a Grécia deve cumprir suas metas antes de qualquer nova discussão sobre os termos.

Merkel ateve-se firmemente ontem à sua política de confiar no relatório da troica, formada por Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI), embora tenha dito que ela e Hollande não têm dúvidas de que querem a Grécia no bloco monetário. "A Grécia faz parte da zona do euro e eu quero que a Grécia continue como parte da zona do euro", disse Merkel.

Sem renegociação. Em uma recepção fria a Samaras em Berlim, o líder parlamentar de Merkel, Volker Kauder, disse que "nem o prazo nem o conteúdo podem ser renegociados", e acrescentou que a saída da Grécia "não seria um problema para o euro".

Um jornal alemão informou que o Ministério de Finanças está estudando o impacto da saída grega, enquanto o jornal Bild pediu ao líder grego que faça uma promessa pessoal para não sobrecarregar os contribuintes alemães. "Assine aqui, Herr Samaras!", foi a manchete do jornal que, assim como a maior parte da imprensa alemã, tem sido duro com a Grécia.

O primeiro-ministro grego reclamou da cobertura da mídia, afirmando na entrevista que essas notícias sobre a possível saída de seu país do euro prejudicam o lançamento de privatizações necessárias para restaurar o equilíbrio fiscal na Grécia.

"Alguma empresa investiria euros na Grécia se achar que vai receber dracmas de volta? Claro que não", disse Samaras.

Merkel afirmou que lê jornais gregos todos os dias para ver como as medidas de austeridade que ela defende são recebidas e acrescentou que não pode fazer nada sobre a cobertura da mídia alemã.

O mercado reagiu com otimismo à reunião dos líderes. As bolsas fecharam no azul com a interpretação de que a Europa - e, particularmente, o BCE - possa adotar ações decisivas no mês que vem, quando a avaliação da troica será conhecida.

Em questão está a próxima parcela de 11,5 bilhões de ajuda para o governo grego, que não pode ser desembolsada até que a troica confirme progressos do governo grego com as reformas estruturais. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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