Premiê japonês diz reavaliar promessas de campanha e nega renúncia

Declarações vêm após escândalos envolvendo políticos do partido do primeirno-ministro; aprovação do governo está em queda

Hélio Barboza, da Agência Estado,

26 de março de 2010 | 08h04

O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, disse que uma comissão do seu partido está revisando as promessas feitas durante a campanha eleitoral do ano passado, para julgar se as medidas são apropriadas em um período em que se deteriora a saúde fiscal do país.

 

Hatoyama afirmou também, numa entrevista concedida nesta sexta-feira, que a despeito da queda nas taxas de aprovação ao seu governo, ele não pensa em renunciar e não estuda a reformulação do seu gabinete ou da liderança do Partido Democrático do Japão (PDJ).

 

As declarações do primeiro-ministro vieram no momento em que uma série de escândalos envolvendo políticos do PDJ arrastaram as taxas de aprovação do governo para cerca de 30% em pesquisas recentes, comparadas a mais de 70% de logo depois que seu partido assumiu o poder em agosto, numa histórica vitória eleitoral na Câmara Baixa.

 

O mercado está cada vez mais preocupado de que as decisões de grandes gastos tomadas pelo novo governo possam solapar a saúde fiscal do Japão. No começo desta semana, o parlamento aprovou um orçamento recorde de 92,999 trilhões de ienes (US$ 1,004 trilhão) para o ano fiscal que começa em abril. O plano deve aumentar a relação dívida/PIB para mais de 200%, a mais alta do mundo industrializado.

 

"Estou consciente de que a situação fiscal é grave, e que está se agravando ainda mais", afirmou Hatoyama. O primeiro-ministro defendeu a necessidade de se encontrar um equilíbrio entre o cumprimento das promessas de campanha do PDJ e o ajuste das finanças do país. Durante a campanha eleitoral do ano passado, os democratas prometeram implementar medidas para estimular o consumo, incluindo a concessão de ajuda em dinheiro para famílias com filhos. As informações são da Dow Jones.

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