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Master Imobiliário - 25 anos antenado com a modernidade e a tecnologia Fabio Hanashiro/Unsplash

Prêmio destaca os pilares de tendências contemporâneas

Retrofit, uso misto e sustentabilidade formam o tripé vencedor, ao lado de inovações e soluções de arquitetura, marketing e vendas

Heraldo Vaz, especial para o Estado

29 de agosto de 2019 | 13h24

Em sua 25ª edição, o Master Imobiliário premiou 20 projetos que se destacam pela modernidade, alta tecnologia e sustentabilidade. “São trabalhos fantásticos, de residenciais de alto padrão a imóveis econômicos, incluindo hotelaria de luxo e soluções de retrofit”, diz Rodrigo Luna, presidente do Capítulo Brasileiro da Federação Internacional das Profissões Imobiliárias (Fiabci-Brasil).

Para o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Basilio Jafet, a edição histórica comemora “um quarto de século premiando a excelência de empresas e profissionais do setor”. Criado em 1994, o Master é uma realização do Secovi-SP e da Fiabci-Brasil.

Neste ano, São Paulo é a sede de 13 trabalhos premiados. Outros quatro são de Santo André e Osasco, na região metropolitana, Bertioga, no litoral, e São José do Rio Preto, no Interior do Estado. Três projetos – do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Nova Lima (MG) – completam o quadro de vencedores.

Jafet cita as obras de retrofit, os selos verdes para construções sustentáveis e os complexos de uso misto como “pilares das tendências modernas no setor imobiliário”. Os retrofits realizados para a Avenues World School, a Casa Melhoramentos e a nova sede do iFood agora fazem parte da galeria dos ganhadores do Master que somam 423 projetos premiados desde 1994. “A reforma atualiza imóveis antigos, que recebem automação predial e tecnologia de ponta”, enfatiza Jafet, apontando a sustentabilidade como item essencial para qualquer empreendimento.

Apoiado no tripé das questões ambiental, social e econômica, a sustentabilidade é “cada vez mais relevante”, acrescenta Luna, apontando novidades como o caso do condomínio Amadis, da Tarjab, que obteve certificação Aqua Social para imóveis econômicos. “Para o morador, traz retorno no dia a dia.”

Jafet fala do conceito de cidade compacta, destacando opções multiúso, que reúnem moradia, trabalho, comércio e lazer no mesmo local, para melhorar a qualidade de vida. Entre os projetos de uso misto, foram laureados dois que integram residências privadas aos hotéis Four Seasons e Fasano.

A HBR Realty ganhou dois troféus. Um foi com o complexo multiúso Wide São Paulo, com residencial, hotel, cinema e mall, que também premiou a Helbor e a MPD Engenharia. O segundo veio com HBR Corporate Tower, em parceria com a Toledo Ferrari, empreendimento destinado ao coworking, com escritórios flexíveis. Outro exemplo de flexibilidade é o TEK Nações Unidas, da Ak Realty e Rocontec – Rocha Construção e Tecnologia, um prédio comercial que virou hospital na zona sul de São Paulo.

A premiação hors concours, concedida pelos promotores do Master, acontece desde o ano 2000, contemplando pessoas e empresas que dão importantes contribuições para o desenvolvimento do setor. Nesta edição, o escolhido foi Hubert Gebara, que recebe a homenagem pelo conjunto de sua obra.

Com 1.200 convidados, a festa foi marcada para ontem à noite, no Clube Atlético Monte Líbano. Marisa Orth e Miguel Falabella foram escalados como mestres de cerimônia. Para os espetáculos musicais, foram chamados a atriz e bailarina Roberta Jafet, o barítono Leonardo Neiva e a cantora Anna Gelinskas. A direção artística é de Richard Luiz, responsável pelo show desde 2004. “É a maior festa do setor”, diz Jafet.

4 projetos para área social são contemplados

O Master Imobiliário premiou quatro projetos de habitação social, incluindo o condomínio Amadis, da Tarjab, com certificação Aqua Social, específica para imóvel do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV); e o complexo habitacional Júlio Prestes I, ambos em São Paulo.

Sócio fundador da RFM Construtora, José Romeu Ferraz Neto, que vai assumir a presidência da Fiabci-Brasil em 1º de setembro, considera que imóveis econômicos poderiam levar mais troféus. “O setor, na crise, foi suportado pela baixa renda”, diz. “Acho pouco quatro de 20 cases laureados porque 60% a 70% dos lançamentos são MCMV.” Segundo ele, é bacana como a sustentabilidade está permeando todos os níveis. “No alto padrão e também no MCMV.”

Divididos em duas categorias – Empreendimento e Profissional –, os prêmios Master têm como base os votos da comissão julgadora. Representadas por seus presidentes e especialistas, seis entidades integram o júri. São elas: Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), Asbea (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), Instituto de Engenharia, e Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil).

Na categoria Empreendimento, concorrem obras residenciais, comerciais e de urbanização, completamente concluídas, o que permite sua melhor avaliação. Na Profissional, são contemplados projetos e ações como sustentabilidade, marketing, comercialização, inovações, soluções arquitetônicas e jurídicas, entre outros.

Desde sua criação, em 1994, o Master se espelha no Prix d’Excellence, entregue no Congresso Mundial da Fiabci. Neste ano, foi em Moscou, dia 30 de maio. Em 2020, será em Manila, nas Filipinas. 

Só ganhadores na categoria Empreendimento podem concorrer ao Prix d’Excellence, em cuja galeria de vencedores há 17 empreendimentos brasileiros.

 

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Residências têm serviços de luxo e conforto

Mistos, conjuntos integram apartamentos com grifes da hotelaria e alta gastronomia

Heraldo Vaz, Especial par O Estado, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 12h44

Dois ícones de luxo e alta gastronomia funcionam como viga-mestra de projetos de uso misto premiados com o Master Imobiliário 2019. Inaugurado em outubro, o Four Seasons traz na mesma torre do hotel a experiência de suas residências privadas. Com uma torre de 40 andares, o primeiro residencial da marca Fasano foi lançado em março deste ano.

“É emblemática a chegada do Four Seasons, comemora Jayro Poggi, diretor da Iron House, que ganhou o prêmio de residencial e comercial na categoria Empreendimento. É a estreia da rede canadense no Brasil, com uma torre - de 36 pavimentos, incluindo 6 subsolos - que reúne 254 quartos do hotel e 84 residências privadas. De acordo com Poggi, o Four Seasons define um “novo padrão de hospedagem no País”, oferecendo também atendimento personalizado aos moradores, com “todo o mimo de uma rede tão renomada em serviços de luxo”. Foi construído dentro do Parque da Cidade, um complexo multiúso com torres comerciais, corporativas, residenciais e um shopping center, entre as avenidas das Nações Unidas e Chucri Zaidan, na zona sul da capital.

“É nosso maior e mais importante projeto”, diz o diretor da Iron House, empresa do grupo pernambucano Cornélio Brennand. “É a nossa entrada no mercado de São Paulo.” O investimento total foi de R$ 700 milhões, em sociedade com Abu Dhabi Investment

Authority, fundo de investimentos dos Emirados Árabes Unidos".

Poggi destaca o fato de “conseguir um mix de sofisticação da marca canadense com uma pegada bem brasileira”, priorizando o acabamento com produtos locais - como mármores e madeira certificada - e obras de artistas nacionais na decoração de ambientes, com esculturas de Francisco Brennand, pintura de Burle Marx e também peças da Tora Brasil.

“Ao desenvolver uma torre única que mescla dois usos distintos, a Iron House realizou um excepcional produto”, descreve o voto do júri, classificando o “projeto arquitetônico de padrão superior”.  A comissão julgadora elogia “o paisagismo, design de interiores, as

obras de arte e a sustentabilidade do edifício, além da sinergia do compartilhamento dos serviços hoteleiros”.

Poggi fala da parceria da empresa norte-americana HKS Architects com o escritório Aflalo/Gasperini, responsável pelo desenho do Parque da Cidade. “Foi realizado um trabalho em conjunto, desde a parte conceitual e o anteprojeto da HKS até o projeto

executivo, com as adaptações às normas locais, do Aflalo e Gasperine, cuja assinatura tropicalizou a obra”, afirma o diretor.

No térreo, ficam o restaurante Four Seasons e o bar do lobby. Uma escada em espiral conduz ao primeiro andar, com salas de reuniões e salões para festas e eventos corporativos. No segundo andar, a academia de ginástica, o spa e a piscina oferecem livre acesso para todos os moradores.

As residências privadas ocupam os 12 andares superiores do edifício, que, na cobertura, tem biblioteca, sala de estar e grande terraço. São plantas com living e sala de jantar integrados, em quatro designs: 92m² e 98m² com 1 suíte, 181m² e 213 m² com 2 suítes.

Em média, os preços variam de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões. “Foram vendidos 10% dos apartamentos depois da inauguração do hotel”, calcula Poggi. Premiada com o troféu de soluções arquitetônicas, a Even vai espetar uma torre de 40 andares no coração do Itaim, na zona sul da capital. O residencial será integrado por um boulevard ao Hotel Fasano, com 15 pavimentos, em um terreno de 5 mil m², na Rua Pedroso Alvarenga.

Com um valor geral de vendas (VGV) de R$ 720 milhões, o projeto de arquitetura, também assinado por Aflalo/Gasperine, traz o primeiro residencial com a marca Fasano e o segundo hotel da grife em São Paulo. Vai conciliar os dois usos, promovendo

integração urbana com o bairro por meio de espaços de convivência, um conceito incentivado pelo Plano Diretor, afirma o diretor comercial da Even, Marcelo Dzik. “Para fruição do público, haverá calçadas largas e a praça na entrada do hotel.”

O voto do júri do prêmio Master elogia o projeto, que “explora o conceito de uso misto e oferece espaços abertos no térreo”. O residencial terá 68 apartamentos, de 288 m², e duas coberturas duplex, com 493 m², diz a comissão julgadora, apontando

“diferenciais”, como a vista privilegiada, spa e área de lazer no 4º pavimento, a 18 metros do nível da calçada. Em média, o preço é de R$ 33 mil por metro quadrado. “Em quatro meses, comercializamos 75% dos apartamentos”, afirma Dzik, informando que a

cobertura custa R$ 25 milhões. “As duas já foram vendidas.”

Para atingir esse público, tão restrito, os projetos de alto luxo exigem uma série de características especiais. “Falamos de preços altíssimos”, afirma Dzik, citando a localização privilegiada, o tamanho do terreno, o valor arquitetônico do complexo e

plantas dos apartamentos. “O pacote todo tornou o Fasano Itaim um produto de absoluto sucesso.”

O executivo explica que a torre residencial, “por uma questão de segurança e comodidade, terá uma vida e operações absolutamente independentes do hotel”. São estruturas diferentes, acrescenta Dzik, ao ressaltar os serviços oferecidos, como, por exemplo, refeição, portaria, concierge, limpeza, arrumação e lavanderia. “A ideia é que o morador tenha a experiência do atendimento Fasano no seu apartamento.”

O hotel, com 191 unidades, terá 84 estúdios (de 28 m²) e 107 quartos, com área de 56 m², em média. A arquitetura de interiores, a cargo de Marcio Kogan, usa pedras naturais, tijolo aparente e madeiras nos ambientes. Nessa torre, além do restaurante

Fasano, haverá um bar na cobertura, com piscina, academia e espaços para eventos.

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Uma vida inteira dedicada ao setor

Secovi e Fiabci homenageiam Hubert Gebara, que há 65 anos atua no mercado imobiliário e fundou empresa quando ainda era universitário

Claudio Marques, Especial para O Estado, São Paulo

29 de agosto de 2019 | 12h25

O temperamento expansivo e brincalhão de Hubert Gebara é um traço marcante de sua personalidade bem conhecido por todos aqueles que, em algum momento de seus 65 anos de atividade empresarial, mantiveram contato com ele. Foi em 1954 que o ainda

estudante de engenharia do Mackenzie começou a atuar no ramo imobiliário. 

O objetivo inicial da Hubert, nome também de sua empresa, fundada em conjunto com os pais, era construir. O primeiro escritório funcionava no andar superior do imóvel onde a tecelagem da família estava instalada. “Comecei com três funcionários, hoje são 300, incluindo os das filiais de Campinas e Jundiaí”, conta Gebara, que é homenageado pelas entidades promotoras do Master Imobiliário como Hors Concours.

Ao longo do tempo, a empresa foi passando por transformações. Começou fazendo algumas edificações e vendas de imóveis. Em 1967, depois da morte do pai, Fuad, ele se dedicou exclusivamente à administração e venda de imóveis. No começo dos anos 1970,

o impulso veio quando passou a administrar quatro empreendimentos da Gomes de Almeida Fernandes, que mais tarde viria se tornar a Gafisa. Ainda no começo daquela década, conta, houve forte expansão imobiliária. “Mas faltava quem tivesse experiência

em administração de condomínios”, revela. “As construtoras começaram a procurarquem os administrasse.” E logo a empresa passou a também fazer a implantação de condomínios. 

“O primeiro prédio que implantamos foi comercial, o Barão de Serro Azul, na Avenida Paulista”, lembra Gebara.  A administradora acabou por se especializar nessa atividade. Apesar de ainda prestar esse serviço, seu forte continua sendo a gestão de condomínios.

São 75 mil unidades administradas que promovem 1,2 mil assembleias anualmente. Participar dessas reuniões fez parte da rotina do empresário durante um longo período de tempo. 

“Fazia muita assembleia. Em uma delas, houve uma briga, uma discussão, um sujeito levantou armado querendo matar o síndico que estava a meu lado. Tive de levantar, conversar, tirar a arma dele”, conta. 

Além dessa atuação, a Hubert se dedica à administração de patrimônio de famílias com grande quantidade de propriedades e de um fundo de investimento, dono de 300 imóveis. Há dois anos, a empresa expandiu seu escopo e passou a oferecer serviço de

back office, utilizado também por pequenas administradoras. Atualmente, faz 80 mil pagamentos e emite 75 mil boletos. 

Em paralelo ao dia a dia à frente da empresa, Gebara também ganhou consideração de seus pares por sua atuação em entidades de classe. Assim, replica em outra escala sua atuação como diretor e presidente do Centro Acadêmico Horácio Lane, da Universidade

Mackenzie, onde se formou nos cursos de engenharia civil e elétrica. 

 

AABIC

Em 1978, fundou e presidiu a Associação Brasileira de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC). Posteriormente, ajudou a fundar a Federação Nacional das Administradoras Imobiliárias (Fenadi).

Gebara teve atuação marcante na elaboração da Lei do Inquilinato, em 1991, e em sua revisão, em 2010. É uma participação da qual se orgulha. “O que adiantava ter uma lei que engessava o locador? Ninguém queria comprar imóvel para locar e isso acabou com

a então nova lei. Foi uma virada muito grande no mercado de locações.” Segundo ele, a nova legislação fez com o que mercado de locação se expandisse.

Com seu desempenho em favor do setor, acabou se aproximando do Sindicato da Habitação (Secovi), do qual se tornou vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínio, cargo que ocupa há 15 anos. 

“Em reconhecimento ao seu trabalho extraordinário, que engloba e transcende suas atividades empresariais, nada mais justo, e motivo de grande honra, que a Fiabci-Brasil e o Secovi-SP, neste ano em que celebram os 25 anos do Prêmio Master Imobiliário,

concedam a premiação hors concours a Hubert Gebara pelo conjunto de sua obra e por fazer a diferença na indústria imobiliária nacional”, afirma texto dos presidentes Rodrigo Luna (Fiabci) e Basílio Jafet (Secovi).

Segundo eles, a trajetória de Hubert Gebara na administração de condomínios e imóveis contribuiu decisivamente para que o segmento alcançasse expressão, tornando-se indispensável e de alta relevância econômica na indústria imobiliária.  “Fazemos um

trabalho voluntário nas entidades do setor ajudando as empresas. Abrimos nossos conhecimentos para quem eventualmente precise”, afirma o empresário.

 

Gebara continua até hoje trabalhando na empresa, apoiado pelos filhos Daniel e Rodrigo. Casado com Vivian, também é pai de Christian. E até hoje, é síndico do prédio onde reside.

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Prédio histórico na Lapa ganha vida nova

Transformação da área interna, preservação de fachada e cobertura da antiga sede da Melhoramentos combinam modernidade e preservação

Claudio Marques, Especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 12h56

O desenvolvimento de um projeto imobiliário em um terreno na Lapa resultou na recuperação de um prédio histórico e uma premiação para a Companhia Melhoramentos, dona da área, Alfa Realty, responsável pela incorporação do espaço em volta do imóvel, Lock Engenharia e Studio Guilherme Torres de arquitetura. O case foi contemplado com o Master Imobiliário na categoria Empreendimento - Retrofit Comercial e Cultural.

No terreno está o edifício que abrigou a antiga sede da Melhoramentos e que foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). O fato impedia a construção na área envoltória da edificação, onde estavam galpões desativados da empresa. 

Para dar andamento ao projeto imobiliário, seria preciso adquirir Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) e fazer o restauro do prédio. Cada CEPAC equivale a determinado valor de m² para utilização em área adicional de construção ou em modificação de usos e parâmetros de um terreno ou projeto.

As empresas começaram a preparar um projeto com essa finalidade. “Com o projeto, foi possível destacar o imóvel tombado da área de incorporação com o objetivo de mesclar a preservação da história e as memórias afetivas do bairro com um modelo de negócio imobiliário no remanescente do imóvel”, diz o diretor presidente da Alfa Realty, Eudoxios Anastassiadis. 

O prédio da Melhoramentos foi inaugurado em 1948 em um terreno de 11,42 mil m², feito sob medida para abrigar as áreas administrativas e comerciais dos negócios da empresa. Dirigentes da companhia, os diretores Marcelo Persone Resende de Camargo(Finanças e Relação com Investidores) e Denivaldo Toledo Camargo (Florestal) dizem que a organização de 128 anos decidiu renovar um edifício histórico de 70 anos, para torná-lo moderno e aconchegante, respeitando suas origens. 

De acordo com eles, a ressignificação de uso do prédio foi fundamental; parte do edifício agora está programado para finalidades culturais. “Será um vetor para o bairro da Lapa, como o foi no século passado como primeira indústria no bairro”, dizem em

texto enviado para a reportagem.

O prédio, agora chamado de Casa Melhoramentos, tem áreas de convivência, salão de exposições, auditório para até 80 pessoas e dois espaços de 800 m² cada para a realização de eventos. E a empresa ainda mantém em uma parte do local a sua diretoria. “O espaço cultural e comercial colabora com a requalificação da região e o reposicionamento da marca da empresa, que mantém, no local, seu escritório administrativo”, afirma o júri do Master ao justificar a premiação.

Planta

Renovar em 15 meses um prédio que tem fachada e telhado tombados e faz parte da história da Lapa, enfrentou vários desafios, como o fato de não ter uma planta baixa, de acordo com os dirigentes da Melhoramentos. Além disso, como projeto de retrofit, há

uma série de normas e leis que é preciso respeitar. Não era possível, por exemplo, pintar a parede de uma cor qualquer. 

“Tivemos de contratar uma empresa especializada para fazer incursões na alvenaria para encontrar a tinta primitiva, original, do imóvel. É como se fosse um trabalho arqueológico. Descoberta a pigmentação da tinta, mandou-se produzir a tinta para aí

então pintar as paredes”, conta o co-CEO da Lock, Daniel Gispert. Processos semelhantes envolveram a cobertura e todo o caixilho, que era de ferro. “Não se podia tirar e fazer um igual, foi preciso restaurar o que lá existe”, diz Gispert.

De acordo com o projeto arquitetônico, a estrutura central do edifício foi completamente demolida, criando um átrio para o qual todas as lajes se abrem. “É possível, logo na entrada, compreender toda a circulação, unificada por um grupo de elevadores e escadas

alocados no eixo transversal, criando no térreo galerias destinadas ao Museu da Memória da Melhoramentos, além de um café”, diz Torres, o arquiteto. São três lajes, sendo uma delas ocupada pela própria Melhoramentos, e no último pavimento uma grande área para exposições e eventos revela a cobertura original do edifício.

“Foi um grande percurso de pesquisas que conduziram à ressignificação arquitetônica do edifício”, diz o arquiteto. Segundo ele, o tombamento ocorreu, não por valores de estilo ou época, mas por razões históricas. “Foi naquela área nos galpões que foram impressas cédulas do dinheiro que circulou durante a Revolução Constitucionalista de 1932”, conta. 

Segundo Anastassiadis, o investimento foi de R$ 70 milhões para o destacamento do edifício tombado. O retrofit envolveu a soma de R$ 15 milhões, segundo os diretores da Melhoramentos. A estruturação do desenvolvimento imobiliário começou em 2007 e a

aprovação para a reforma e construção de duas torres ocorreu em 2016.

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Torre de vidro leva atualidade à Nova Lima

Cidade da região metropolitana de Belo Horizonte ganha prédio arrojado e sustentável

O Estado de São Paulo, Redação

29 de agosto de 2019 | 12h33

Com 170 metros de altura, o edifício Concórdia Corporate é considerado a maior torre de estrutura metálica do Brasil, segundo a Tishman Speyer, responsável pelo empreendimento localizado em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, juntamente com a Construtora Caparaó.

“Com projetos arquitetônico e construtivo arrojados, foi concebido com alto padrão de sustentabilidade, certificação ambiental LEED Gold e utilização de um sistema estrutural misto de concreto e aço. A obra foi executada rigorosamente dentro do prazo de 19

meses, sem registro de acidentes”, segundo a avaliação do júri do Master Imobiliário, que premiou o Concórdia na categoria Empreendimento - Comercial.

O Concórdia foi erguido, lembra o júri, com 31 pavimentos, é servido por 16 elevadores, possui heliponto e 788 vagas de estacionamento em oito subsolos. No térreo, há um mall com quatro lojas e um restaurante, auditório para 240 lugares e centro de convenção. No visual, o destaque é a fenda que sobressai em cada uma das suas quatro fachadas de vidro. 

“Fizemos o prédio porque Belo Horizonte carecia de um empreendimento de alta qualidade”, afirma o presidente da Tishman, Daniel Cherman. “Com ele, levamos um novo conceito de edificação.”Na visão dos jurados, o edifício, com seus 60 mil m² de área

construída, possui formas elegantes que se destacam na paisagem urbana da região.  O projeto harmonizou, na visão da comissão julgadora, arquitetura contemporânea de forte impacto visual, com espaços internos bem dimensionados e infraestrutura

adequada, a escritórios de padrão superior, espaços dedicados a lojas, auditório e Restaurante. 

“O pórtico do térreo, o paisagismo e os espelhos d’água complementam a composição visual do empreendimento de características singulares e com certificação de sustentabilidade”, diz o voto do júri.

Cherman considera o Concórdia, que foi entregue no fim do ano passado, um empreendimento pioneiro na região, por possuir “características mais internacionais”. Ele diz que o mercado agora está percebendo as diferenças e qualidades do projeto. “Acreditamos que as empresas, à medida que vão entendendo o projeto, reconhecem que não é uma questão de luxo, mas de eficiência”, afirma.

De acordo com ele, inicialmente a ideia é alugar as salas comerciais e vendê-las somente no longo prazo. Cherman afirma que as companhias locais já começam a reconhecer as qualidades do projeto, fato que para ele demonstra que a estratégia foi acertada /C. M.

 

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Uso misto e coworking, tendências de sucesso

Comercialização total de 339 apartamentos e a exclusividade para escritórios flexíveis, com serviços, premiam quatro empresas

Heraldo Vaz, Especial para O Estado, São Paulo

29 de agosto de 2019 | 12h18

Com a tendência multiúso em alta e uma demanda crescente por escritórios compartilhados, o sucesso comercial premiou dois empreendimentos. Um foi o Helbor Wide São Paulo, que reúne apartamentos, hotel, lojas e cinemas na Avenida Rebouças, zona oeste. O outro é o HBR Corporate Tower, no eixo empresarial da Avenida Faria Lima, totalmente destinado ao coworking.

O júri do Master Imobiliário valorizou “a campanha eficiente que resultou em 100% de vendas” dos 339 apartamentos do prédio residencial do Wide São Paulo. Isso deu o prêmio de comercialização à Helbor S/A, HBR Realty e MPD Engenharia. “Atende a diferentes públicos”, explica o diretor de vendas da Helbor, Marcelo Bonata, apontando opções de estúdios, com 29 m², até duplex, com área de 130 m², “para jovens, solteiros, casais de todas as idades e amantes de uma vista fantástica na divisa de Pinheiros com o Jardim Europa”.

Foi o primeiro projeto aprovado pela Lei de Zoneamento de 2016 na Rebouças, que recebeu uma sucessão de lançamentos, incentivados pelo aumento do potencial construtivo. Em um terreno de 4,7 mil m², serão 41 mil m² de área construída. Além do mall, com 11 lojas, e de quatro salas da rede Cinemark, com 500 assentos, haverá torre de 17 pavimentos, com 170 quartos do Hilton Garden Inn. O hotel oferecerá serviços pay per use aos moradores.

Com o mote de “infinitas possibilidades” em um só lugar, a campanha contou com anúncios em jornais e revistas, marketing online, folhetos, brindes e eventos, como sessões de cinema grátis para visitantes do estande. Também incluiu treinamento para 800 corretores e distribuição de prêmios por desempenho. “Fizemos um projeto ousado em Pinheiros, que tem toda a infraestrutura e inúmeras opções de gastronomia e happy hour”, diz Bonata, elogiando a revitalização da Rebouças com o Plano Diretor. “Foi uma transformação imobiliária, uma renovação, promovendo desenvolvimento e valorização.”

As obras foram iniciadas em 2018. O vice-presidente da MPD, Milton Meyer, afirma que já foram concluídas as contenções e fundações e executada 45% da estrutura de concreto armado. Para o diretor da HBR Realty, André Agostinho, “é vocação do Wide se tornar ponto de referência para lazer, serviços, alimentação e coworking”.

No HBR Corporate Tower, a vocação exclusiva é o coworking. O empreendimento comercial premiou a HBR Realty, que idealizou o projeto, e a construtora Toledo Ferrari, responsável pela execução. A torre, com 19 pavimentos, tem 22,8 mil m² de área construída em terreno de 4 mil m².

Os 10,7 mil m² de área locável estão sob administração da WeWork, que oferece de mesa compartilhada até uma laje inteira, com salas de reuniões privativas, além de serviços de recepção, limpeza, equipamentos e apoio de secretárias. Com o aumento da demanda por escritórios flexíveis e a união a uma das maiores corporações mundiais de coworking, “o complexo foi totalmente alugado e gerenciado neste modelo inovador”, diz o voto do júri.

A comissão julgadora elogia a “alta tecnologia de operação” do comercial padrão triplo,com certificação LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental), da Green Building. O HBR Corporate Tower “está 100% dedicado ao coworking”, diz o presidente da HBR

Realty, Henrique Borenstein.

Em dezembro de 2018, a Helio Borenstein S/A fechou parceria em que - por meio de duas controladas, HBR Realty e Helbor S/A - assegura a locação de 100 mil m² para implantação de escritórios flexíveis compartilhados. No total, são cinco empreendimentos com salas e lajes corporativas preparadas para a WeWork. “Era estoque, que gerava despesas de R$ 21,5 milhões por ano”, afirma Borenstein. “Com a locação, haverá receita anual de R$ 40 milhões.”

O selo LEEd Gold é a coroação da adoção de boas práticas de projeto e obra, diz Borenstein, destacando benefícios como economia de 17% na energia e de 40% de água potável, comparados a um edifício padrão. Conta “com amplo sistema de automação predial”, medição individual de água e luz, acrescenta o diretor da Toledo Ferrari, Cid Ferrari. “Além de recarga para carros elétricos, reúso de água e elevadores com recuperação de energia.”

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Fundo imobiliário diferenciado capitaliza construtora mineira

Direcional utiliza imóveis em estoque avaliados em R$ 700 milhões para compor FII e arrecadar R$ 259 milhões

Cláudio Marques, Especial O Estado, São Paulo

29 de agosto de 2019 | 11h53

Como se capitalizar para mudar a gestão dos negócios voltados ao mercado do programa Minha Casa Minha Vida tendo um estoque de R$ 700 milhões em imóveis? Para piorar o quadro, os empreendimentos estavam distribuídos em 11 empreendimentos de padrão médio e médio alto em Minas Gerais, Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. A solução encontrada pela Direcional Engenharia foi criar um fundo de investimento imobiliário (FII) inovador, que se tornou proprietário das sociedades de propósito específico (SPEs) dos empreendimentos que estavam em estoque.

A SPE é a estrutura jurídica de um empreendimento imobiliário. A venda dessas sociedades para o fundo significa que ele se tornou dono do empreendimento, exceto de unidades já eventualmente vendidas. As sociedades destinadas ao fundo correspondiam a imóveis de médio e médio-alto padrões.

Preço Atraente

O FII foi lançado em agosto de 2018, para comercializar R$ 400 milhões do estoque,com preço atraente aos investidores. Estruturado e coordenado pela XP Investimentos, foi comercializado em cotas e em três meses de operação gerou aproximadamente R$250 milhões em receita. 

A iniciativa, considerada inovadora pelo júri do Master Imobiliário, rendeu à Direcional

um prêmio Econômico-Financeiro na categoria Profissional.“Simultaneamente, a empresa firmou com o FII a obrigação de gerir a carteira desses imóveis, promovendo a venda dos ativos. Como resultado, a Direcional auferiu a geração de caixa(aproximadamente R$ 250 milhões) e entregou aos investidores do FII um excelente investimento, completamente inédito e diferenciado”, diz o júri que concedeu a premiação.

De acordo com o diretor nacional de Incorporação da Diagonal, Paulo Assis, 100% dos atuais lançamentos feitos pela empresa estão focados no segmento econômico. “Vemos hoje, dada a redução da taxa de juros, um segmento não atendido na faixa de R$240 mil a R$ 300 mil e já começamos a olhar para isso, e não apenas para o Minha Casa Minha Vida”, afirma o executivo. De acordo com ele, a Direcional é a segunda maior construtora do Brasil em área construída no segmento residencial, que chega a 3.114.534 m². E tem focado sua atuação em sete praças: Amazonas, Ceará, Pernambuco, Distrito Federal, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro.

Prédio no Rio ganha com ‘voo para qualidade’ 

Em plena crise, a BR Properties investiu, em dezembro de 2016, na compra do Passeio Corporate, um complexo de três torres comerciais interligadas por um mall de serviços e comércio, com características de um triplo A e certificação LEED Gold, localizado no centro do Rio de Janeiro. O negócio era arriscado por causa da situação econômica, mas mostrou que a estratégia de empresa estava certa. 

A BR recebeu o empreendimento em março de 2017 e hoje cerca de 90% dos espaços estão locados. O case rendeu um prêmio Master na categoria Profissional -

Comercialização. De acordo com o CEO da BR Properties, Martin Jacó, a empresa detectou por meio de estudos, análises e simulações, que o estoque de empreendimentos de escritórios do Rio de Janeiro é “muito baixo”. 

Segundo ele, embora o mercado estivesse passando por um período de baixa, assim como o resto de País, havia a avaliação de que se recuperaria com certa velocidade para quem tivesse imóveis de alta qualidade. “Dentro desse cenário, identificamos o Passeio Corporate como sendo um projeto que teria absorção”, afirma Jacó. 

Para a BR, no entanto, era importante já ter um produto quando começassem as discussões sobre recuperação da economia. A estratégia foi de que nesse momento, as empresas que queriam qualidade de ocupação e eficiência e não estavam bem acomodadas no Rio de Janeiro, poderiam se interessar por um produto diferenciado. “Nosso edifício, então, foi beneficiado por esse movimento que é chamado flight to quality, que é basicamente a migração para a qualidade. Foi isso exatamente o que aconteceu”, diz o CEO da empresa.  O empreendimento abriga o Teatro Riachuelo, que foi reformado pela companhia.

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Gigante, dois dormitórios tem suíte de 60 m²

Edifício em Santo André faz sucesso ao oferecer unidades com 181 m² e desafiar a tendência de redução do tamanho dos imóveis

Cláudio Marques, Especial para O Estado, São Paulo

29 de agosto de 2019 | 11h05

Muitas conversas com clientes e possíveis clientes, amigos e profissionais do setor, além de pesquisas, foram fundamentais para a Construtora Patriani desafiar a tendência de redução do tamanho dos imóveis -- mesmo para a classe média - e lançar o Stillo Patriani. Localizado no bairro Campestre, em Santo André, no ABC paulista, as unidades têm 181 m² e apenas dois dormitórios com suítes, sendo uma delas, a master, com 60 m².

Dados do Sindicato da Habitação e da Embraesp mostram que, na cidade vizinha à capital paulista, o tamanho médio dos imóveis passou de 108,49  de área útil em 2004 para 62,31 m² em junho deste ano. Os preços, no entanto, seguiram o caminho inverso e o metro quadrado, que saía a R$ 1,44 mil, subiu para R$ 5,34 mil neste ano.

“As pessoas têm cada vez menos filhos. Um apartamento com essa metragem tradicionalmente possui três ou até quatro suítes, mas quem pode comprar um imóvel desses, na faixa de R$ 1,1 milhão, não tem mais dois ou três filhos. Então, fizemos um empreendimento que atende ao novo estilo de vida dos casais. Daí o nome Stillo”, diz Bruno Patriani, diretor da companhia, que atua no Grande ABC, Campinas, Sorocaba e Atibaia.

A ousadia deu certo. As vendas foram um sucesso e o projeto rendeu à empresa um troféu Master Imobiliário de Marketing e Desenvolvimento de Produto na categoria Profissional. “Vendemos tudo em 29 dias”, afirma Patriani. Para o júri da premiação, isso confirma o correto desenvolvimento do produto e do marketing de vendas. A torre vai ser entregue no início de 2021.

Segundo a incorporadora, foram destinados R$ 2,3 milhões ao plano de mídia, que levou mais de mil visitantes ao estande de vendas, montado com dois pavimentos. O primeiro, com espaço gourmet, ficou reservado ao atendimento dos interessados, e o segundo mostrou um apartamento decorado em tamanho real, com destaque para o closet feminino, recheado de bolsas e sapatos. Com as vendas das 54 unidades, que geraram VGV de R$ 60 milhões, a empresa acabou utilizando apenas 58% da verba destinada à divulgação.

“Ao constatar a diminuição das metragens dos apartamentos de dois dormitórios, a Patriani apostou na direção contrária. Mantendo o padrão de seus empreendimentos, desenvolveu um produto diferenciado e dirigido a clientes que buscam unidades de dois dormitórios, sem abrir mão do conforto das metragens maiores”, reforça o júri.

“É o que está servindo hoje para os casais. Não é nenhum monstro de 300 m² ou 400 m². É uma roupagem certinha, porque o casal consegue receber com conforto e a suíte de 60 m² garante um bom espaço íntimo”, acrescenta Patriani. Ele afirma que a suíte, que representa 1/3 do espaço total da unidade, foi o grande chamariz para atrair compradores. 

“A suíte dispõe de dois closets, um para o homem e outro para a mulher, que é maior e possui janela e iluminação direta. O closet feminino dá entrada para o banheiro da mulher, enquanto o segundo closet, do outro lado da cama, dá entrada para o banheiro masculino”, diz Patriani. O cliente pode optar, se quiser, por unir os dois banheiros.

Gerador a gás

O edifício terá 31 pavimentos e área total construída de 17,51 mil metros quadrados, térreo com ambientes de lazer e utilidades comuns, além de três subsolos de garagem com quatro vagas por apartamento e tomada para recarga de carros elétricos. Haverá gerador de eletricidade movido a gás, que é menos poluente e mais silencioso do que o a diesel. O sistema também garantirá aos apartamentos pontos de iluminação na sala e cozinha e um específico para geladeira. 

O empreendimento ainda dispõe de itens sustentáveis como captação de água de chuva para reúso, medidores individuais de consumo de água, torneira com redutor de vazão e lâmpadas de LEDs, que reduzem o gasto com eletricidade, além de áreas verdes.

A construtora aderiu à campanha do Green Building Council de redução da temperatura interna dos edifícios em ao menos um grau Celsius graças à adoção de telhados e paredes pintados de branco. 

O edifício obteve, segundo Patriani, certificações PBQP-H, programa do governo federal que tem como meta elevar os patamares de qualidade da construção civil, além de ISO 9001/2015, que regulamenta serviços e materiais.

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Parceria dá novo visual à área no centro

Praça Júlio Prestes foi remodelada e passou a receber imóveis de interesse social

Cláudio Marques, Especial para O Estado, São Paulo

29 de agosto de 2019 | 11h23

A revitalização da região central de São Paulo está na base da primeira parceria público-privada de habitação do País, firmada entre a empresa Canopus e a Secretaria de Habitação do Estado de  São Paulo. Como parte desse acerto está a entrega, na área da antiga rodoviária da capital, do Complexo Júlio Prestes I, com 914 apartamentos enquadrados como habitação de interesse social (HIS). 

Parte do lote 1 da PPP, o complexo também abrange a criação de áreas verdes, a revitalização da Praça Júlio Prestes, a construção de um complexo comercial com 66 lojas, um supermercado de 900 m² e a futura Escola de Música Tom Jobim. “A parceria inaugurou novo padrão de qualidade na oferta de moradias de interesse social. Por isso, o projeto é Master Imobiliário 2019”, diz em suas considerações o júri do Master Imobiliário, que premiou a iniciativa na categoria Empreendimento.

No total, o complexo terá 1.202 apartamentos, sendo cinco torres com as 914 unidades de HIS já entregues, mais duas torres com outras 216 unidades HIS, além de 72 de habitações de mercado popular, perfazendo área total construída de 95.365 m². Imóveis de 1 dormitório têm área útil de 34 m²; nos de 2 dormitórios ela varia de 44 m² a 51 m² e de 3 dormitórios, 52 m². 

“As unidades possuem vários diferenciais construtivos como pisos, cerâmicas e metais de primeira linha, granito na bancada da cozinha, nas soleiras e nos peitoris das janelas, aquecedores instalados, portas de alta qualidade, entre outros, que revelam a qualidade superior de seus acabamentos, em relação à execução tradicional de unidades de habitação de interesse social”, afirma o diretor de Incorporação e PPP da Canopus, Hubert Eppenstein de Carvalho.

Ele considera a PPP uma solução de amplo espectro. “Não se limita à redução do déficit habitacional da cidade, mas também engloba soluções de inclusão social, de revitalização urbana e econômica da área central, de preservação do patrimônio, além da execução de obras institucionais e de infraestrutura.”

O chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Habitação, Cassiano Ávila, ressalta a importância da requalificação urbana. “Acabamos ocupando uma área subaproveitada, mas que tem boa infraestrutura, inclusive de transporte.” Ele diz que o resultado é visível e traz benefícios indiretos, como por exemplo, o menor tempo gasto em transporte por moradores que antes viviam em regiões mais afastadas e trabalham em áreas centrais. Para Ávila, parceria traz resultados mais rápidos e melhores do que um projeto apenas do poder público ou somente da iniciativa privada.

O contrato também prevê a construção de uma creche, além da reforma (já concluída) do 2º Grupamento do Corpo de Bombeiros. E engloba a prestação de diversos serviços, como trabalho técnico social de pré e pós-ocupação, gestão da carteira de mutuários, gestão condominial e manutenção predial.

No caso da Praça Júlio Prestes, onde está a Sala São Paulo, houve reforma completa, de acordo com o diretor da Canopus. “O projeto, elaborado pelo escritório Biselli e Katchborian Arquitetos, concebeu uma área central para eventos culturais com capacidade para receber até 5 mil pessoas, além de espaços contemplativos por toda a praça. Foram preservadas todas as 73 árvores originais e plantadas mais 25 espécimes.”

Além do mais, a PPP contempla obras na Praça Cleveland e a construção dos residenciais Gusmões, São Caetano e Alameda Glete. Ávila reconhece que sempre acontecem desistências na ocupação dos imóveis por diversos motivos, como mudança de cidade ou até porque o contemplado não gostou do imóvel que lhe coube por sorteio, desiste e volta para a fila de sorteio. Segundo ele, não é possível saber quantas renúncias ocorreram por medo da segurança na região conhecida como Cracolândia.

Segundo a secretaria, o lote 1 envolve investimento de R$ 1,4 bilhão, sendo R$ 919 milhões privados e R$ 465 milhões do Estado.

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Fenômeno digital, iFood se expande para além das telas

Prédio passa por renovação, ganha espaço de convivência e abriga a sede do aplicativo

Pedro Rubens Santos, Especial para O Estado, São Paulo

29 de agosto de 2019 | 11h33

Quem frequenta o escritório do iFood, aplicativo que atua no ramo de entrega de refeições, sabe que a rotina por lá é dinâmica. Uma reunião de negócios, por exemplo, pode ser realizada na Sala Tapioca, enquanto cachorros desfilam pelo andar e pessoas se servem de lanches e bebidas, que estão sempre à disposição. Estações de trabalho flexíveis permitem que os funcionários sentem onde quiserem para trabalhar.

Estas ações vêm sendo implementadas há pouco mais de um ano, desde que a It’s Informov entregou as chaves de um edifício até então desativado para servir como sede da gigante de tecnologia, em Osasco, na Grande São Paulo. Um retrofit transformou o local em área de convivência e socialização. Focado na interação e na modernização de ambientes, o projeto renovou a estrutura do prédio, que abriga 1.300 foodlovers – como são chamados os funcionários. 

O iFood recebe 6 milhões de pedidos por mês – ou dois pratos de comida entregues por segundo. O crescimento exponencial de downloads do aplicativo nos últimos anos exigiu a expansão física, e a sede mudou de endereço. Já há mais de 5 milhões de usuários ativos no Brasil, Argentina, Colômbia e México.

A nova casa apresenta espaço grande e moderno. Os 12 mil m² do edifício foram reformados e ganharam novas marquises, vermelhas como o app. A inspiração veio da arquitetura dos anos 1960 e das famosas curvas criadas pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer.

O objetivo, segundo a empresa responsável pela obra, era renovar a estrutura de aparência pesada e retangular. Por isso, a ideia de construir uma marquise com curvas e aliviar a fachada foi posta em prática.

“A ampliação do térreo através da marquise possibilitou áreas ao ar livre cobertas para serem utilizadas como lounges, para jogos e reuniões informais”, conta Murilo Toporcov, diretor executivo da It’s Informov. “Pensando em um pessoal jovem como o do iFood, a proposta funciona muito bem.”

As chaves foram entregues em maio de 2018, após 84 dias de obras, e, desde a inauguração, os funcionários têm experimentado dinâmicas curiosas no novo escritório. “A comida, os eventos, o pet day e demais ações têm como objetivo aproximar as pessoas. Todos desfrutam dos mesmos benefícios”, diz o diretor da companhia. Toporcov refere-se às atrações internas. Em algumas ocasiões, cachorros são convidados a conhecer o local onde seus donos trabalham. Além disso, o dia a dia e as confraternizações são regados a muita comida para os funcionários.

O novo layout do edifício, segundo o executivo, é fundamental para empresas como o iFood, ágeis em suas metodologias de trabalho. “As salas de reuniões receberam nomes de comidas que o aplicativo entrega como Feijoada, Tapioca e Pão de queijo”, afirma. 

Outra peculiaridade é o sistema flexível de locais de trabalho. No iFood, muitos funcionários não têm a própria mesa, mas possuem liberdade para sentar em qualquer estação. “Algumas áreas, como comercial e tecnologia, utilizam muito o conceito de mesas flexíveis.”

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