Prêmio Nobel avalia que mercado vê "pessimismo excessivo"

O ex-economista-chefe do Banco Mundial Joseph Stiglitz afirmou que, do mesmo modo que o mercado norte-americano de ações viveu um período de "exuberância irracional" no fim dos anos 1990, a postura dos mercados financeiros em relação ao Brasil hoje são um bom exemplo de "pessimismo excessivo". Ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2001, Stiglitz disse que a dívida do Brasil, que tem sido fonte de preocupação dos investidores nos últimos meses, é "claramente administrável", desde que as taxas de juros caiam. "Acho que o mercado tem exibido um pessimismo excessivo", declarou Stiglitz em entrevista à Dow Jones. Para ele, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva já mostrou estar preparado para fazer o que for necessário para manter o Brasil solvente, o que inclui a possibilidade de elevar o superávit primário, caso haja necessidade. O economista também disse que agora está nas mãos dos investidores decidir se vão dar a Lula a chance de implementar sua política fiscal conservadora. "Seria do interesse do mercado, se ele fosse racional, reconhecer a viabilidade da situação econômica do Brasil. Se o mercado reagir de maneira irracional, obviamente isso vai mudar o ambiente em que as decisões terão de ser tomadas", disse Stiglitz. Ele acrescentou que as dificuldades de Lula para ganhar a confiança do investidor serão ampliadas pelo fato de a posse do novo presidente ser apenas em janeiro. Stiglitz sugeriu que Lula poderá reduzir a volatilidade do mercado nos próximos meses com a nomeação rápida dos nomes mais importantes de sua equipe econômica. "Ainda assim, não há um relacionamento simples entre o que Lula faz e como o mercado reage", avaliou.

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