Prêmio Nobel de Economia critica política monetária do Brasil

O prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade de Columbia Joseph Stiglitz criticou a política monetária brasileira ontem durante seminário "Desenvolvimento Econômico com Eqüidade Social", promovido pelo Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (Ibas). Segundo ele, "é errado focar apenas na inflação" para estabelecer a política monetária. "A inflação traz custos sociais importantes mas o desemprego também", afirmou.Depois, ao ser questionado pelo ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias sobre a importância de programas de transferência de renda quando há problemas estruturais de desemprego, Stiglitz afirmou que "quando você tem um quadro macroeconômico do Brasil com altas taxas de juros é muito difícil criar empregos".Ele observou que, "mesmo nos Estados Unidos, empregos não podem ser criados com taxas de juros maiores do que 2% ou 3%". Segundo Stiglitz, transportando essa questão para o Brasil onde também falta outras condições e "as taxas reais estão entre as maiores do mundo", há dificuldade de criar empregos. Ele afirmou que, diante de situações em que faltam empregos, é favorável a um programa de distribuição de renda, especialmente para crianças, contribuindo para que a pobreza não se transfira de uma geração para outra.CâmbioStiglitz disse não poder julgar se a taxa de câmbio do Brasil está muito valorizada. Para o economista, "o dólar não é mais um ativo seguro". De acordo com ele, a inflação corrói o valor do dólar, mas a instabilidade das taxas de câmbio no mundo também é importante.

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