Reprodução
Reprodução

Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Prêmio Nobel de Economia vai para Eugene Fama, Lars Hansen e Robert Shiller

O trio norte-americano ganhou o prêmio pela 'análise empírica do preço dos ativos'

14 de outubro de 2013 | 08h01

SÃO PAULO - O Prêmio Nobel de Economia deste ano foi concedido a um trio norte-americano: Eugene Francis Fama, da Universidade de Chicago, Lars Peter Hansen, do mesmo centro acadêmico, e Robert James Shiller, da Universidade de Yale.

O prêmio da Academia Real das Ciências da Sueca se deu pela "análise empírica do preço dos ativos", como ações, bônus soberanos e bens imobiliários.

Embora não exista uma forma de prever os preços de ações e bônus no curto prazo de dias e semanas, diz o comunicado, é certamente possível prever o curso amplo dos preços no longo prazo - entre três e cinco anos.

"Essas descobertas, ao mesmo tempo surpreendentes e contraditórias, foram feitas e analisadas pelos ganhadores do Nobel neste ano, Eugene Fama, Lars Peter Hansen and Robert Shiller", informa a academia. Pelo prêmio, o trio norte-americano receberá oito milhões de coroas suecas, o equivalente a US$ 1,3 milhão.

O comportamento do preço de ativos são chave para decisões sobre poupança, compras de imóveis e políticas econômicas nacionais, disse a academia. "A má precificação de ativos pode contribuir para crises financeiras e, como a recente recessão global demonstra, tais crises podem prejudicar a economia como um todo", acrescentou. 

Histórico. Nos últimos anos, pesquisadores norte-americanos dominaram os prêmios de economia. A última vez em que um cidadão de outro país estava entre os vencedores foi 1999. Com o prêmio de economia, os comitês do Nobel já anunciaram os ganhadores de todas as seis categorias de 2013.

Diferentemente de medicina, química, física, literatura e o Nobel da paz, o prêmio de economia não foi criado por Alfred Nobel em 1895. O banco central da Suécia adicionou economia aos prêmios em 1968, em memória a Alfred Nobel.

 

As pesquisas. Na década de 1960, Eugene Fama e seus colaboradores demonstraram que é extremamente difícil prever o preço das ações em um curto período de tempo. Além disso, também observaram que as informações de mercado circulam rápido e são velozmente incorporadas à precificação dos ativos. Essas primeiras descobertas tiveram um profundo impacto nas pesquisas seguintes sobre o assunto, assim como também mudaram práticas de mercado. Um exemplo foi surgimento de índices de fundos.

"Se os preços são praticamente impossíveis de prever ao longo de dias ou semanas, não deveria ser ainda mais difícil prevê-los ao longo de muitos anos? A resposta é não", diz o comunicado da academia. 

Assim, Robert Shiller descobriu no início da década de 1980 que o preço das ações flutua muito mais que os dividendos. Uma abordagem interpreta esses estudos como uma reposta à racionalidade dos investidores à incerteza dos preços. Alto rendimento futuro é visto como um compensação ao risco tomado durante um período longo. Lars Peter Hansen, por sua vez, desenvolveu um método estatístico que é particularmente bem-sucedido para testar as teorias sobre a racionalidade dos preços dos ativos. 

Bolha imobiliária. Robert Shiller ficou conhecido por prever a bolha imobiliária norte-americana em 2008, que desencadeou a crise financeira. Ele foi cocriador do índice de preço de imóveis S&P/Case-Shiller.

Neste ano, em visita ao Brasil, Shiller afirmou que existe uma boa probabilidade de que exista uma bolha imobiliária no País, pelo fato de os preços no Rio e em São Paulo terem dobrado nos últimos cinco anos.

De acordo com o economista, este comportamento de preços nunca ocorreu nos EUA, mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, quando os soldados voltaram ao pais e geraram uma grande demanda por moradias.

"O caso do Brasil me lembra o Japão nos anos 1980, quando os preços dos imóveis subiram até atingir um pico em 1990, e vem caindo desde então", disse Shiller, autor de livros sobre finanças comportamentais.

(Com agências)

Tudo o que sabemos sobre:
Nobel

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.