Preocupação com a crise contagia mercados mundiais

Confiança do consumidor norte-americano - a menor em 26 anos - e balanço da GE afetam bolsas

Agência Estado,

11 de abril de 2008 | 12h18

A preocupação com a profundidade da desaceleração da economia americana, trazida pelo balanço do conglomerado industrial General Eletric (GE), ampliou-se com a divulgação preliminar do índice de sentimento do consumidor americano e com o dado dos preços das importações dos EUA. O clima de pessimismo domina as bolsas em Nova York e Europa e já contamina o mercado brasileiro. Às 12h11, a Bolsa de Valores de São Paulo registrava queda de 0,89%, aos 62.960 pontos.  Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones caía 1,21%, o Nasdaq-100 tinha baixa de 1,35% e o S&P 500 cedia 1,07%. Enquanto isso, na Europa, o CAC de Paris registrava queda de 1,24% e o FTSE-100 de Londres cedia 1,09%. O sentimento do consumidor caiu de 69,5 em março para 63,2 em meados de abril, informou nesta sexta a Universidade de Michigan. O dado ficou bem abaixo das estimativas de retração para 68. E o Departamento de Trabalho americano informou que o preço das importações subiram 2,8% em março, superando a previsão de alta de 2,1%, e bem acima dos ganhos de 0,2% em fevereiro. A GE informou queda de 6% em seu lucro líquido no primeiro trimestre, com a desaceleração da economia dos EUA e a crise do crédito prejudicando o resultado de suas unidades financeira, industrial e de saúde. A companhia também revisou para baixo suas projeções de resultado para este ano. Por volta das 11 horas (de Brasília), as ações da GE caíam 10% em Wall Street. O rebaixamento nas expectativas para o lucro "é condizente com os problemas no crédito dos últimos seis a oito meses e alimenta o debate sobre o grau de profundidade da atual desaceleração", disse o chefe de estratégia com bônus do Tesouro do RBS Greenwich Capital, David Ader. "A GE é um referencial", disse o diretor-gerente e chefe de renda fixa do Morgan Keegan & Company, Kevin Giddis. "É um forte indicador da atividade econômica atual e futura e foi uma surpresa para muitos que acompanham a companhia", disse. Tais surpresas, acrescentou, "apenas impulsionam as especulações de que a economia dos EUA não chegou ao fundo do poço e de que há uma crescente lista de novas variáveis, as quais podem forçar o Fed (Federal Reserve, o BC americano) a manter a atual política de corte das taxas por um período mais longo".

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