Preocupação com câmbio leva FHC a reunir equipe

Foi a preocupação com a nova disparada do dólar, hoje, que levou o presidente Fernando Henrique Cardoso a convocar a equipe econômica para uma reunião no Palácio da Alvorada, no final da manhã, seguida de almoço. O objetivo foi fazer uma avaliação do mercado e dos últimos dados registrados, como alta da moeda norte-americana, crescimento do risco Brasil e elevação da taxa da inflação - para que se pudesse discutir a estratégia de atuação do governo nesta fase, que o governo começa a achar que poderá se estender durante todo o período do segundo turno. O governo acredita que não se ouvirão do candidato do PT-PL à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, novas declarações para acalmar o mercado, como ocorreu na primeira fase da disputa eleitoral. A avaliação do Palácio do Planalto é que a nova inquietação no mercado foi provocada por declarações feitas pelo candidato petista, que foram consideradas dúbias. Uma delas, que causou maior preocupação à equipe governista - e que, acredita-se no governo, possa ter sido responsável pela deflagração da inquietação do mercado - foram referências feitas por Lula em relação ao Documento de Olinda. Esse documento, lembram auxiliares governistas, que prega a ruptura com o atual sistema econômico, havia sido deixado de lado pelos petistas, quando apresentaram a Carta aos Brasileiros, considerada amena e tranqüilizadora. Mas uma nova referência aos termos de Olinda pelo comando petista deixa dúvidas sobre qual dos dois discursos deve ser levado em conta. O governo entende que era hora de Lula e sua equipe darem novas declarações tranqüilizadoras ao mercado. Mas não há a menor chance de os governistas, mesmo que por emissários, fazerem qualquer sugestão tipo desse gênero à cúpula petista. Também está descartada a possibilidade de uma nova conversa formal entre o presidente e os candidatos. "Agora é governo contra oposição. É a calmaria contra a incerteza", comentou um auxiliar palaciano.Mesmo assim, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, designado por Fernando Henrique para convocar a imprensa para dar todas as explicações possíveis a fim de tentar reverter a subida do dólar, chegou a dizer, na entrevista, que caberia à oposição reafirmar suas posições. Mesmo depois de ter dado as diretrizes para a equipe econômica na reunião de hoje, Fernando Henrique continuou em contato com esses auxiliares, acompanhando as medidas que estavam sendo tomadas. Ele estava muito preocupado com o fato de o dólar ter se aproximado da marca de R$ 3,90, e o risco psicológico de a moeda superar a barreira dos R$ 4. O governo crê que isso tem de ser evitado.

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