Dólar fecha acima de R$ 4; Bolsa tem menor nível do ano

Moeda americana registrou a maior cotação desde setembro de 2018; comunicado da Vale pressionou Ibovespa, que recuou 0,98%

Antonio Perez e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 10h15
Atualizado 16 de maio de 2019 | 23h49

Uma série de incertezas fez com que o dólar e a Bolsa tivessem um dia de forte tensão nesta quinta-feira, 16. Depois de sucessivos ensaios nos últimos dias, a moeda americana rompeu o teto dos R$ 4. Já o principal indicador da Bolsa, o Ibovespa, registrou o nível mais baixo, em pontos, deste ano.

A percepção sobre a inabilidade do governo na articulação política, a rápida deterioração nas perspectivas do crescimento econômico e o cenário internacional fizeram o dólar fechar na máxima do dia, em alta de 0,98%, a R$ 4,04. Foi maior valor de fechamento desde 28 de setembro, quando o cenário eleitoral ainda estava indefinido e a incerteza política afetava a cotação da moeda e da Bolsa.

Segundo operadores e analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, as perspectivas são de que a taxa de câmbio se mantenha acima de R$ 4 no curto prazo.

O humor do mercado, que já vinha ruim, piorou quando a mineradora Vale informou ao Ministério Público que há risco de rompimento da barragem da mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG). Segundo a empresa, se as condições se mantiverem, a ruptura da estrutura poderá ocorrer de 19 a 25 de maio. 

Pressionado pela queda de mais de 3% dos papéis da Vale, o Ibovespa chegou a perder o patamar dos 90 mil pontos. Fechou, porém, com queda de 1,75%, aos 90.024 pontos, menor patamar do ano – na contramão das Bolsas em Nova York e da Europa.

Turbulências

A corrida ao dólar começou na abertura dos negócios, em meio à conjunção de alta da moeda americana no exterior e ao aumento das tensões políticas. A surpresa com a magnitude dos protestos de rua na quarta-feira contra o contingenciamento ma Educação somou-se às preocupações com os desdobramentos da quebra do sigilo do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), aparentemente envolvido em transações suspeitas com imóveis.

As declarações do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a chamar os manifestantes de “idiotas”, e a piora da situação fiscal, com o governo sem forças para aprovar com facilidade crédito suplementar sem o qual a máquina do Estado pode ser paralisada, completaram o quadro. Pesou ainda a percepção das dificuldades do governo na articulação política para a aprovação das reformas estruturais, como a da Previdência e a tributária.

“Não se sabe se vai demorar muito mais para a aprovação da reforma da Previdência e qual vai ser a desidratação”, diz Felipe Pellegrini, gerente de Tesouraria do Travelex Bank. “Isso faz o mercado tomar uma postura mais defensiva.”

Para ele, a piora das perspectivas para a economia também contribui para depreciação do real. “Antes era só a questão da Previdência”, afirma. “Agora, temos a projeção de PIB muito fraco e a questão dos protestos. A tendência é de alta do dólar no curto prazo.” 

Enquanto as incertezas aumentam no Brasil, a divulgação de dados acima do esperado nos EUA fortaleceram a moeda americana globalmente. O  Departamento de Trabalho do país divulgou que o número de pedidos de auxílio-desemprego caiu 16 mil na semana, para 212 mil. A expectativa era de que ficassem em 220 mil. Além disso, o número de construção de novas moradias subiu 5,7% em abril, também acima das previsões.

 

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