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Preocupação do governo com dívida externa privada

O governo está preocupado com a dívida externa das companhias brasileiras. É uma preocupação intimamente vinculada a fatores conjunturais. Mas não inclui os bancos, porque estes têm limites para os seus compromissos em dívidas estrangeiras.

, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 00h00

De qualquer forma, a preocupação se justifica, dada a possibilidade de mudança da conjuntura internacional nos próximos meses.

A principal fonte de liquidez internacional é a política do Fed (o banco central dos EUA), que, para estimular a economia do país, está recomprando títulos do governo. A receita dos vendedores dos títulos cria uma grande liquidez numa economia com forte desemprego ainda e que não oferece oportunidades de investimentos nos EUA. Ao contrário, os países emergentes estão atravessando uma fase de crescimento que atrai a poupança criada nos EUA.

Em princípio, as recompras do Fed terminarão em julho, quando poderá haver um aumento da taxa de juros naquele mercado. Assim, uma fonte de recursos pode secar tanto nos EUA quanto na Europa.

No momento, assistimos a um processo de redução dos preços das commodities que deve afetar em particular a economia brasileira, enquanto a economia chinesa dá sinais de afrouxamento. Todos esses fatores poderão contribuir para a desvalorização do real diante do dólar, o que levará as empresas que assumiram compromissos externos a enfrentar sérias dificuldades.

Finalmente, a forte entrada de capitais externos contraria a política do governo na sua tentativa de reduzir o fluxo dos créditos externos.

O governo parece menos preocupado com os bancos pelo fato de que existe uma regulamentação muito severa para o passivo em divisas das instituições financeiras. Mas é uma tranquilidade que não nos parece justificada, pois todos os fatores analisados acima afetam também os bancos. Eles podem ser obrigados, em razão da regulamentação do Banco Central, a não ultrapassar os limites regimentares, mas não ficarão ao abrigo das consequências de uma desvalorização, uma vez que não poderão mais conseguir empréstimos. Além disso, os seus clientes, não podendo mais obter empréstimos externos, tentarão valer-se dos bancos nacionais, que, não tendo possibilidades de renovar seus créditos externos, terão de lidar com forte aumento da inadimplência dos seus mutuários.

Tudo isso, a nosso ver, justificaria uma limitação da entrada de empréstimos externos para as empresas, o que inclui também as instituições financeiras.

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