Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Preocupação eleitoral de parlamentares com reforma da Previdência é legítima, diz Temer

Segundo o presidente, porém, é preciso aprovar a proposta para evitar mudanças mais radicais nas regras das aposentadorias daqui dois ou três anos

Anne Warth, Adriana Fernandes, Carla Araújo e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 19h15

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer disse que a preocupação dos deputados e senadores com a possibilidade de não se reelegerem caso votem a favor da reforma da Previdência é legítima. Segundo ele, porém, é preciso aprovar a proposta para evitar mudanças mais radicais nas regras das aposentadorias daqui dois ou três anos.

Ele citou como exemplo países como Portugal e Grécia, que fizeram cortes benefícios recebidos pelos aposentados da ordem de 20% a 30%.

INFOGRÁFICO Entenda a reforma da Previdência

“É legítimo que o parlamentar se preocupe com o efeito de uma eventual votação que ele tenha na Câmara e no Senado. É mais do que legítimo. Fui parlamentar por seis mandatos e sei o que isso significa”, afirmou, em discurso para empresários no Palácio do Planalto.

++Temer admite que votação da reforma da Previdência pode ficar para fevereiro

“Precisamos fazer a reforma já, e precisamos do apoio do Congresso, que tem nos dado apoio com significativa maioria”, acrescentou. Temer disse que o governo está próximo de conquistar os 308 votos necessários para aprovar a proposta.

“Quando lançamos o primeiro projeto de reforma, ele era muito mais amplo, e houve muita mobilização popular. Os parlamentares se preocuparam muito, com a hipótese de ter repúdio de natureza eleitoral”, disse.

++Governo faz mudanças de cargos em meio a negociações pela reforma da Previdência

Na avaliação de Temer, hoje, esse risco não existe, pois a proposta em discussão hoje tem uma “suavidade extraordinária”. Segundo ele, a primeira proposta iria gerar uma economia de R$ 1 trilhão para o governo, enquanto a atual promoverá uma economia de R$ 600 bilhões. “Entre zero e R$ 600 bilhões, melhor uma economia de R$ 600 bilhões.”

Temer disse que a reforma da Previdência é a mais importante das reformas, assim como a reforma tributária. “Precisamos fechar esse ciclo reformista, ou melhor, dar continuidade a ele. Uma das reformas mais fundamentais é a reforma da Previdência, além da simplificação tributária”, disse.

O presidente disse que a aprovação da reforma da Previdência demanda o empenho do Executivo e do Legislativo. “É preciso o empenho de todos”, afirmou. “Só conseguimos chegar até aqui porque tivemos e temos apoio do Congresso. Montei um governo semipresidencialista. Quero voltar a esse tema, porque acho que esse pode ser o caminho do Brasil em um futuro próximo”, afirmou.

++Proposta de regime semipresidencialista trata de 'censura'

“Quem governa não é apenas o Executivo”, afirmou, criticando gestões que tratam o Legislativo como “apêndice”. “Quem não tem apoio do Congresso Nacional não consegue governar.”

Temer disse que as ações adotadas pelo governo nos últimos meses têm a preocupação de aliar responsabilidade fiscal e social. Sobre comércio exterior, o presidente disse ainda que o governo “universalizou” as relações brasileiras, “como convém a um governo que se quer democrático e participativo”. “Não ideologizamos as relações exteriores.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.