Preocupações com a China derrubam bolsas no mundo todo

Preocupações com a China e com o crescimento dos Estados Unidos derrubaram os mercado no mundo todo nesta terça-feira. No Brasil, onde os negócios ainda estão abertos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com queda de 3,5% às 13 horas. Se os negócios terminarem neste patamar, a Bolsa terá devolvido todo o ganho obtido no mês.Neste mesmo horário, o dólar é vendido a R$ 2,1030 na ponta de venda dos negócios, em alta de 0,91% em relação aos últimos negócios. No patamar máximo desta terça, o dólar foi vendido a R$ 2,1110.As taxas de juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros estão em alta desde a abertura dos negócios. O ajuste dos contratos futuros sofre influência da guinada externa, mas também reflete o interesse do mercado em diminuir exposição a riscos a uma semana da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A taxa está em 13% ao ano e, na última reunião, o Comitê já adotou uma postura de cautela maior, reduzindo o corte da taxa de 0,5 para 0,25 ponto porcentual.Já o risco Brasil - que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do País - sobe nove pontos, para 189 pontos base.Preocupações com a ChinaSem nenhuma notícia específica e apenas com base em rumores do mercado, os investidores passaram a avaliar o risco de restrições aos investimentos na China. A bolsa do país computou a maior perda em dez anos e a quarta desde que foi criada em 1990. O índice Xangai Composto caiu 8,9%, reduzindo para 14% os ganhos acumulados este ano e após ter computado uma impressionante alta de 130% no ano passado.Operadores não identificaram nenhum notícia específica que propiciasse a queda e atribuíram o movimento à realização de lucros em ativos de grande capitalização protagonizada principalmente por investidores institucionais - ou seja, venda das ações para apurar o ganho obtido nos últimos dias.Mas os bastidores foram movimentados por especulações de que o governo poderá tomar medidas para conter os investimentos na reunião anual do congresso chinês, que começa em 5 de março. Segundo operadores, as especulações são de aumento do juro e de impostos, o que diminuiu a atratividade do investimento em ações. Estas medidas teriam o objetivo de combater movimentos especulativos, que vêm impulsionando o mercado, e esfriar a economia.A queda da bolsa chinesa provocou estrago no mercado de ações no mundo todo. Em Nova York, onde o mercado ainda está aberto, o Índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - a queda é de 1,22%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e Internet - a perda é de 1,66%."O mercado está estressado como um todo, começou com a China realizando bastante forte a bolsa, e o pessoal está atento (para ver) como vai prosseguir, se é apenas uma realização ou um movimento que vai afetar todos os mercados emergentes", explicou Daniel Szikszay, gerente de câmbio do banco Schahin.Nos EUA, o mercado também ficou preocupado com os comentários do ex-chairman do Federal Reserve Alan Greenspan, na véspera, de que a maior economia mundial pode entrar em recessão até o fim do ano, e com dados desta manhã que mostraram que as encomendas de bens duráveis despencaram 7,8 por cento em janeiro.Embolso de ganhosContudo, é importante lembrar que os mercados globais vinham de um período de fortes ganhos, com níveis recordes de alta, o que deixa os investidores predispostos a ajustes e realizações de lucros. "Todos os mercados globais estão operando nas máximas... de repente aproveitaram para realizar um pouco", destacou Júlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy. "Acontece qualquer problema em um país e fatalmente afeta todas as bolsas no mundo, especialmente emergentes", completou.Outras bolsas asiáticas também recuaram na terça-feira. Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou em baixa de 1,8%, perto da marca psicológica de 20.000 pontos - aos 20.147,87. Além da influência da China, investidores também estão na expectativa da divulgação do orçamento que o governo fará nesta quarta-feira. A Bolsa de Taiwan chegou a registrar 7.939,50 pontos durante as negociações, mas fechou praticamente estável na comparação com o pregão de ontem.O índice Kospi, da Bolsa sul-coreana, caiu 1,1%, e o mercado filipino encerrou o pregão também em queda de 1,4%, aos 3.331,29 pontos, com uma sessão de alto volume de negócios e movimento de correção do mercado, depois de ter registrado a maior alta em pontos dos últimos 10 anos na sexta-feira.As bolsas no México, Chile e Argentina também operam em baixa.

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