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Preocupações com Brasil e emergentes dominam reunião anual do FMI

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, colocou o Brasil ao lado de Venezuela e Equador como os países que estão impedindo que a economia da América Latina cresça mais

Altamiro Silva Junior, enviado especial, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2015 | 17h42

LIMA - Preocupações com o Brasil e outros países emergentes marcaram a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), que termina neste domingo em Lima, no Peru. A economia brasileira, que deve ter uma das maiores recessões entre os principais mercados mundiais, foi destaque negativo nos relatórios apresentados durante o encontro e nas reuniões das autoridades e analistas presentes em Lima.

Na reunião de primavera do FMI, realizada em abril em Washington, havia a expectativa de que o ajuste fiscal do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fosse avançar e o Brasil fosse retomar o crescimento em 2016. Seis meses depois, no encontro anual do Fundo, o tom foi mais de preocupação com a crise política e com a maior recessão em 25 anos no País, prevista para continuar em 2016, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve encolher 1%. Em abril, o FMI projetava que o Brasil fosse crescer 1% no ano que vem.

Em Lima, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, colocou o Brasil ao lado de Venezuela e Equador como os países que estão impedindo que a economia da América Latina cresça mais, enquanto Chile, Peru, México e Colômbia, foram citados como mercados que fizeram reformas e agora crescem mais, todos eles com expansão prevista de ao menos 2% este ano.

A piora do Brasil foi mencionada por autoridades estrangeiras nas plenárias do FMI. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jacob Lew, destacou a instabilidade da economia brasileira na declaração que apresentou ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês), órgão máximo que dá as diretrizes políticas para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Na mesma plenária, o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría, mencionou que as perspectivas para o Brasil, junto com a Rússia, se deterioraram "significativamente".

Já o economista do Banco Mundial para a América Latina, Augusto de la Torre, afirmou que a crise brasileira é um "mistério", pois o ajuste fiscal, apesar de desafios, não era tão difícil assim de ser conduzido. Na sua avaliação, parte da explicação sobre os problemas do país se devem a fatores políticos. Para ele, Levy tem "um dos trabalhos mais difíceis do planeta". Já o colunista do Financial Times, Martin Wolf, disse a jornalistas brasileiros que vê uma "bagunça total" no País agora.

Os relatórios do FMI apresentados ao longo da reunião destacaram a queda histórica dos índices de confiança de consumidores e investidores brasileiros em meio à crise política e ao escândalo de corrupção na Petrobras. O documento "Panorama Econômico Regional" ressaltou que, apesar de fatores externos explicarem parte da recessão na economia brasileira, como a queda dos preços das commodities, são os problemas domésticos os maiores responsáveis pela contração da economia em 2015 e 2016.

O FMI recomenda que o Brasil continue, "sem atrasos", com os esforços de consolidação fiscal para estabilizar a dívida pública ao mesmo tempo em que o Banco Central deve seguir atuando para conter pressões inflacionárias, além de fazer reformas para melhorar o ambiente de negócios. "O foco da política macroeconômica no Brasil deve ser aumentar a credibilidade e resolver estrangulamentos na infraestrutura."

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