Preocupada com eleições, Petrobrás procura economistas de candidatos

Executivos da estatal vão conversar com assessores econômicos das campanhas no momento em que presidenciáveis têm apresentado propostas que vão de privatização de atividades importantes da empresa a retomada de 100% do controle pela União

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2018 | 05h00

RIO - Depois de ver o acirramento do debate eleitoral em torno da Petrobrás, com propostas que vão de privatização a maior interferência estatal, a direção da empresa decidiu procurar os candidatos para apresentar a eles o retrato da companhia após quatro anos de Operação Lava Jato. 

Os encontros com os assessores econômicos ainda estão sendo marcados e devem acontecer em setembro, antes que o debate fique ainda mais acalorado. Três dos principais executivos da companhia abriram espaço nas agendas para levar aos presidenciáveis a mensagem de recuperação financeira dos últimos anos. Com eles, vão as mesmas apresentações que costumam mostrar aos investidores – um conjunto de métricas e estatísticas que demonstram onde a Petrobrás estava no auge da crise, em 2014, e onde está atualmente. 

O trabalho é coordenado pelo diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da Petrobrás, Nelson Silva. Com ele, nessa empreitada, estão os diretores Financeiro, Rafael Grisolia, e de Assuntos Corporativos, Eberaldo de Almeida Neto. A ideia é mostrar à equipe dos candidatos que a dívida da estatal, que já alcançou R$ 500 bilhões em 2015, hoje está em R$ 284 bilhões, e que ativos foram colocados à venda para que, já no início da próxima década, a empresa tenha capacidade de investimento compatível com a das petroleiras concorrentes.

O movimento da Petrobrás ocorre no momento em que os candidatos têm apresentado todo o tipo de proposta em relação à estatal – desde a privatização de atividades relevantes da empresa até a retomada do controle total pela União. Pré-sal e reajuste dos preços dos combustíveis também estão em pauta. 

O presidente, Ivan Monteiro, tem afirmado, como um mantra, que a gestão da petroleira é independente e não sofre interferências do governo, ao contrário do que aconteceu no passado. Ministros e indicações políticas não têm mais assento no conselho de administração e decisões de investimento, por exemplo, passaram a ser tomadas coletivamente. 

Economistas dizem que, de fato, ficou mais difícil para o governo interferir na gestão da Petrobrás. “A Operação Lava Jato causou um trauma e deixou o mercado mais vigilante e preocupado com a transparência”, diz Gilberto Braga, professor de Economia e Negócios do Ibmec. 

Novos episódios de ingerência política, no entanto, não são totalmente descartados. “A União tem poder majoritário entre os acionistas e um novo presidente da República não teria dificuldade de mudar as regras internas mais uma vez”, diz o cientista político da PUC-Rio, especialista em administração pública, Ricardo Ismael. “Mas houve uma mudança na gestão corporativa e acredito que essa linha de preservação da empresa prossiga no próximo governo.” 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.