Cesar Itiberê/PR
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Preocupado com 'efeito rebote', Planalto estuda rever política de preços da Petrobrás

Equipe de Michel Temer está preocupado se greve de caminhoneiros poderá prejudicar ainda mais a imagem do presidente

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

01 Junho 2018 | 17h39

 

O Palácio do Planalto quer desfazer a ideia de que vá interferir politicamente na Petrobras, após a saída do presidente da companhia Pedro Parente. Há, no entanto, estudos em andamento no governo para a revisão da política de preços de combustíveis e gás de cozinha. Na prática, a equipe de Michel Temer está preocupada com o "efeito rebote" das manifestações dos caminhoneiros, algo que poderia prejudicar ainda mais a já desgastada imagem do presidente, perto das eleições.

Agora, o receio do Planalto é de que, após a normalização do abastecimento, haja novos protestos e cobranças, desta vez para a redução do preço da gasolina. O núcleo político do governo e a cúpula do MDB pressionam Temer por medidas de maior impacto para a crise, na esteira do acordo com os caminhoneiros. O cuidado, porém, é para que possíveis novos anúncios sejam embalados como propostas para reduzir a volatilidade dos preços dos combustíveis ao consumidor, sem interferência na Petrobras. É nessa linha, por exemplo, que tem se manifestado o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco. Nos últimos dias, Moreira disse que a tributação sobre os combustíveis "não é saudável" para os Estados e precisa ser discutida.

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"Esperamos a mudança na política de preços (praticados pela Petrobras). Não podemos ter alterações diárias e sem qualquer previsibilidade", concordou o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE).

Segundo informações obtidas pelo Estado, Pedro Parente percebeu esse movimento e decidiu entregar o cargo. Não tomou a decisão de última hora nem pegou Temer de surpresa. Sob pressão, ele avaliou que sua permanência, no atual cenário, seria contraditória com tudo o que sempre defendeu.

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O Estado apurou que Parente disse ter chegado ao seu limite. Confidenciou a pessoas próximas que, se ficasse à frente da Petrobras, teria de ceder mais uma vez, por saber que todo esse imbróglio não vai se encerrar com o corte no preço do óleo diesel. Para um aliado do ex-presidente da Petrobras, o governo começou a dar "corda para se enforcar" neste ano eleitoral.

A conversa de Parente com Temer, nesta quinta-feira, durou aproximadamente 20 minutos. O agora ex-presidente da Petrobras já tinha enviado sinais ao Planalto, durante a negociação para pôr fim à greve dos caminhoneiros, de que não faria mais concessões. A conta para diminuir R$ 0,46 no litro do óleo diesel vai custar R$ 13,5 bilhões neste ano para o governo. Deste total, R$ 9,5 bilhões são de subsídios para reduzir o valor do produto nas refinarias.

Dois anos depois de ter assumido uma empresa que virou alvo da Lava Jato, com seu último presidente, Aldemir Bendine, preso, Parente deixou o governo convencido de que suas decisões na Petrobras não foram uma "escolha caprichosa", como afirmou em vídeo postado na rede interna da estatal. 

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