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Presença dos Brics na OMC vai ser um teste para aliança comercial

Pela primeira vez, todos os países do grupo estarão na OMC, e vão enfrentar juntos a queda no comércio mundial

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h08

A capacidade do Brics em se apresentar como bloco unido passará por um severo teste, diante de um comércio internacional que terá em 2012 um dos piores momentos dos últimos 35 anos. Nesta semana, a Rússia passará a integrar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e, pela primeira vez, estarão juntos na entidade Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul.

Para observadores, porém, a reunião do grupo na entidade comercial ameaça revelar que a aliança política dos Brics não consegue unir os países na agenda comercial. Hoje, uma reunião ministerial dos Brics será realizada em Genebra, um dia antes do encontro de ministros da OMC. Os ministros Antonio Patriota e Fernando Pimentel representarão o Brasil.

Na pauta, o esforço para mostrar que estão unidos contra as práticas injustas de comércio conduzidas por EUA e Europa. Os governos dos emergentes devem emitir um comunicado conjunto para mostrar onde estão de acordo e como pretendem agir para garantir um sistema mais justo, além de rejeitar a pressão de Washington e Bruxelas para abrir suas economias.

A China, maior exportadora do mundo, insiste que quer a abertura dos mercados para seus produtos, não apenas dos países ricos, mas também dos emergentes. Pequim alerta que vem sofrendo cada vez mais barreiras de outros países emergentes e alerta que, com a queda do comércio em 2012, o risco do protecionismo de "aliados" contra ela deve aumentar.

Para os chineses, a manutenção dos mercados abertos é fundamental para que continuar a crescer. Hoje, 18 milhões de chineses dependem de exportações para garantir seus salários.

Já o Brasil desembarca em Genebra pronto para insistir que o câmbio tem provocado efeitos nefastos ao comércio e rejeita se comprometer a não elevar tarifas de importação. Nesse ponto, a divergência entre Brasília e Pequim não poderia ser maior.

A Índia e a África do Sul chegam à reunião convencidas de que não têm como abrir seus mercados agrícolas neste momento, sob o risco de ver a população rural sofrer com a entrada de produtos importados. Já a Rússia, que entrará na OMC, proliferou medidas protecionistas contra produtos agrícolas brasileiros nos últimos anos e enfrentou a China em diversas áreas.

Em comum, os países do Brics apenas têm a pressão para que Estados Unidos, Europa e Japão modifiquem suas práticas comerciais. Mas lutarão por uma fatia do comércio internacional, cada vez mais restrito.

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