Presidência tenta intervir em greve de 18 dias da Abreu e Lima

Governo avalia que o sindicato perdeu controle sobre o movimento, pois há dez dias decidiu pelo fim da paralisação

SERGIO TORRES / RIO , O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h06

Na tentativa de resolver o impasse em torno da greve que há 18 dias paralisa a construção da Refinaria Abreu e Lima, a Presidência da República decidiu enviar um emissário a Pernambuco para conversar, ainda neste fim de semana, com os grevistas. O governo avalia que o sindicato dos trabalhadores perdeu o controle sobre o movimento.

O enviado do governo federal será o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Manoel Messias de Melo, que ontem participou de reunião de emergência para tratar do assunto. O encontro aconteceu em Brasília, na Secretaria Geral da Presidência. A refinaria, já bastante atrasada, é prioritária nos planos da Petrobrás de aumentar a produção de combustíveis nos próximos anos.

Do encontro na Presidência da República participaram representantes da Petrobrás e do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), que representa os 16 consórcios empresariais que atuam na obra. Eles relataram ao assessor especial da Secretaria Geral, José Lopes Feijó, que os grevistas têm adotado "estratégias de combate", com milicianos mascarados e armados no canteiro de obras, ameaçando os trabalhadores que manifestam a intenção de voltar ao trabalho.

Como exemplo da atuação violenta dos grevistas, foi citada a destruição de sete ônibus durante protesto no canteiro de obras no último dia 8. Na véspera, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) decretara a ilegalidade da paralisação e ordenara a volta imediata ao trabalho, o que ainda não ocorreu.

Sem controle. Para o governo, a prova de que o movimento tomou uma proporção maior é que o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada de Pernambuco -representante d os 44 mil operários da Abreu e Lima e 7.000 da petroquímica Suape, também em construção e parada desde 1º deste mês - já anunciou ter comunicado o fim da greve à categoria, dez dias atrás, e nada aconteceu.

Presente à reunião, a advogada do Sinicon, Margareth Rubem, disse que o problema foi exposto à equipe da Presidência, que decidiu interferir na questão. "A gente sabe que tem coisas estranhas acontecendo na refinaria. Há pessoas que estão dificultando o retorno ao trabalho. Os acordos foram muito bons, com ganhos extraordinários para os trabalhadores", afirmou a advogada.

Chancelado pela Justiça do Trabalho e pelos sindicatos, o acordo eleva os salários em 10,5%, passa o vale-refeição de R$ 200 para R$ 260 e concede folga a cada 90 dias para os trabalhadores que moram longe de Ipojuca (cidade onde a refinaria está sendo construída). Os grevistas recusam a proposta exigem 15% de aumento salarial.

De acordo com o Sinicon, existe a expectativa de uma volta coletiva ao trabalho na segunda-feira, caso avancem as negociações com o emissário do governo. A advogada disse que as obras recomeçaram parcialmente ontem, mas a greve continuava.

Procurado pelo Estado, o presidente do sindicato dos trabalhadores, Aldo Amaral, não respondeu ao recado deixado na caixa postal de seu celular. Em nota, a Petrobrás informou que "vai avaliar possíveis impactos após a retomada dos trabalhos e que implementará medidas mitigadoras, se necessário".

Planejada em 2005, a Abreu e Lima deveria estar funcionando desde 2010. O novo prazo dado pelo governo Dilma Rousseff é o segundo semestre de 2014. O custo inicial, de US$ 2,3 bilhões, já foi superado. Hoje, a obra está orçada em US$ 20,1 bilhões.

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