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Presidenciáveis fazem críticas a leilão

Aécio Neves destaca atraso na realização do leilão e Marina Silva questiona o destino dos R$ 15 bilhões que serão pagos pelas empresas

JOÃO DOMINGOS , RICARDO DELLA COLETTA , RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2013 | 03h06

Os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) criticaram ontem o resultado do leilão do campo de Libra. Aécio afirmou que, embora tardiamente, o governo reconheceu a importância do capital privado nos investimentos. Marina questionou a exploração de petróleo em águas profundas sem que o governo tenha aprovado um plano de contingência para evitar desastres ambientais. Procurado, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), outro provável candidato, não se manifestou.

O senador Aécio Neves criticou o atraso na realização do leilão que, segundo ele, gerou perda "irrecuperável" para a Petrobrás, pois há seis anos não se fazia a licitação. Para Aécio, o resultado trouxe "boas e más notícias". A boa, segundo ele, foi o reconhecimento, "ainda que tardio e envergonhado por parte do governo, da importância do investimento privado para o desenvolvimento do País".

A má, continuou, "é que o atraso na realização do leilão e as contradições do governo vêm minando a confiança de muitos investidores e, no caso da Petrobrás, geraram uma perda imperdoável e irrecuperável para um patrimônio construído por gerações de brasileiros".

Ontem à noite, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Marina Silva criticou a ausência de disputa no leilão. "Num leilão em que só comparece uma proposta é de se duvidar se de fato houve um leilão", disse a ex-senadora. "Esse recurso, de R$ 15 bilhões, vai para onde? Para a educação ou para o governo fazer superávit primário?"

Depois de dizer que considera o petróleo um mal necessário, Marina Silva questionou a falta de um plano de contingência para evitar desastres ambientais. "Como as empresas vão começar a explorar petróleo em águas profundas sem que tenhamos um plano para evitar que desastres de grande magnitude, como os que já conhecemos, aconteçam?"

Questionada sobre a presença de investimento estrangeiro no leilão do pré sal, a ex-senadora disse que não é contra o capital privado, mas se preocupa com a participação do governo chinês. "No caso da China é o Estado que participa. Tem uma ação de governo aí", disse, sem conseguir explicar com clareza sua posição.

O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), foi mais crítico a respeito do leilão. Disse que corre sério risco de ser um "furo n'água". Ele lembrou que, quando foi anunciada a concorrência, a expectativa era a de que 40 grandes empresas iriam disputar "a tapas" o leilão. Agora, para decepção geral, só um consórcio participou da disputa, disse ele. "Um grau de concorrência que ficou lá no chão, tão baixo quanto o pré-sal", ironizou ele.

Para o senador tucano Alvaro Dias (PR), o interesse do governo não é a produção do petróleo. É a produção do superávit primário. "O que o governo precisa desesperadamente é dos R$ 15 bilhões nos cofres da União pagos a título de bônus de assinatura para poder sustentar um superávit primário ruim, um interesse de curto prazo."

Cartas marcadas, O DEM também criticou o resultado do leilão. O líder do partido, Ronaldo Caiado (GO), afirmou que houve um jogo de cartas marcadas e que a Petrobrás será laranja das outras empresas. "Como uma empresa com dívida de R$ 176 bilhões vai arcar com um bônus de assinatura de R$ 6 bilhões e com os investimentos para implantação das plataformas? A estatal tem hoje preço de mercado quatro vezes menor que tinha há dez anos. Não tem capital para esse investimento."

Já o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), considerou "um fracasso" o resultado do leilão do pré-sal. "Foi uma doação e não um leilão. Todo esse processo de atração de investidores terminou em um fracasso e no final o governo teve que recorrer a um "arrumadinho". Freire disse que o leilão teve de tudo, menos concorrência, ao se referir ao forte aparato de segurança que garantiu a realização do leilão, com confrontos entre as forças policiais e os manifestantes.

Para o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), o governo montou um grande consórcio "para dar as riquezas do Brasil à China". No fundo, segundo ele, "o Brasil voltou a ser uma colônia".

O ex-governador do Estado de São Paulo José Serra disse ao Estado que o modelo adotado foi "especialmente sádico no contexto das dificuldades que a Petrobrás enfrenta". Segundo ele, a estatal está em dificuldades provocadas pelo próprio governo. Ainda de acordo com Serra, a obrigatoriedade de a Petrobrás participar com um mínimo de 30% de cada empreendimento a ser leiloado no pré-sal "vai muito além da capacidade financeira e administrativa da empresa".

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