Presidente argentina se compara a goleiro maltratado

Enquanto a Argentina garante vitórias na Copa do Mundo, a presidente Cristina Kirchner lida com uma crise de dívida e se sente como um goleiro que enfrenta uma eterna disputa por pênaltis e um árbitro que favorece o outro time.

REUTERS

24 de junho de 2014 | 08h18

"Posso ser goleira, porque a verdade é que cobram pênaltis contra mim, tiros livres, marcam com a mão, tenho o árbitro que nos prejudica em dois terços do tempo, mas cá estamos: impedindo os gols", afirmou Cristina ao final de seu discurso sobre a indústria automotiva da Argentina.

Cristina não mencionou a atual batalha com investidores que se recusaram a participar de reestruturações de dívida depois do catastrófico default da Argentina em 2002, que deixou milhões de pessoas na pobreza.

Mas ela criticou os credores no passado, chamando-os de abutres, que compraram os títulos a um preço baixo para levar a Argentina aos tribunais e cobrar seu valor completo.

Seu governo também criticou os tribunais dos Estados Unidos por levar a terceira maior economia da América Latina à beira de um novo default.

Mas depois de um importante revés legal nos tribunais na semana passada, Cristina suavizou o tom e aceitou negociar com os detentores de dívida não reestruturada, algo que ela havia prometido que não faria.

A Copa do Mundo no Brasil está ofuscando a saga sobre a dívida para muitos na Argentina, onde a estrela Lionel Messi carrega as esperanças de um terceiro título.

"Continuamos", disse Cristina, rodeada por imagens da ex-primeira dama Eva Perón. "Vamos continuar jogando no campo e em um ataque podemos fazer outro gol."

(Reportagem de Alexandra Ulmer)

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