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Presidente da ALL pede demissão em semana conturbada

Saída coincide com rescisão de contratos na Argentina, mas fontes do setor afirmam que executivo iria para Heinz

RENÉE PEREIRA, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2013 | 02h06

Numa semana turbulenta, com a rescisão dos contratos de concessão das ferrovias na Argentina, a América Latina Logística (ALL) anunciou ontem a renúncia do diretor-presidente, Eduardo Machado Pelleissone. No lugar do executivo, que estava no comando da concessionária de ferrovia e logística desde julho do ano passado, entra Alexandre de Jesus Santoro, atual diretor presidente da Vetria Mineração - joint venture criada em 2011 por ALL, Triunfo Participações e Vetorial.

A empresa, que no Brasil detém a concessão de 13 mil km de estrada de ferro, negou que a saída de Pelleissone tenha alguma ligação com a medida tomada pelo país vizinho de retomar cerca 8 mil km de ferrovias por descumprimento do contrato de concessão. Por meio da assessoria de imprensa, a ALL afirmou que a decisão de Pelleissone foi pessoal e motivada por novos desafios na carreira.

Segundo executivos do setor, Pelleissone já acertou sua ida para a Heinz, comandada por Bernardo Hees, seu antigo chefe na ALL durante seis anos. Hees tornou-se uma espécie de aposta segura do fundo 3G, comandado pelo trio de investidores Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, fundadores da Ambev. A empresa foi adquirida no início do ano numa compra orquestrada pelo 3G com o megainvestidor americano Warren Buffett, por US$ 28 bilhões.

Hess saiu da ALL para assumir a rede de fast food Burger King. Desde então, o grupo já está no terceiro presidente. Em 2010, Paulo Basílio substituiu Hees. Ocupou a posição até julho do ano passado, quando foi para o conselho de administração da ALL. Foi então que Pelleissone, que já trabalhava na companhia havia 14 anos, assumiu o posto mais alto do grupo. Ele continuará na empresa até 15 de junho.

A ALL vive um momento de impasse. Em fevereiro do ano passado, a Cosan - atual cliente da concessionária - anunciou a compra de 5,67% do capital social da ALL por R$ 896 milhões. A transação não só aguarda aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como também enfrenta resistência entre os sócios do grupo ferroviário, dizem executivos ligados à empresa.

Hoje 12% das ações ordinárias da ALL estão nas mãos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); 4,79%, da BRZ ALL (do grupo GP); 3,95%, da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil); e 4,13%, da Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa). O restante está dividido entre outros sócios.

Aporte. Uma notícia positiva para grupo nesta semana foi o aporte de R$ 400 milhões do FI-FGTS na Brado - braço logístico da ALL. Com a operação, o fundo de investimento com recursos do trabalhador terá 22,22% da companhia e a ALL continuará majoritária, com 62,22%. Os outros acionistas passam a ter 15,56%. Os recursos vão aliviar o caixa do grupo para cumprir os investimentos previstos. No mercado, a informação é de que ALL não tem conseguido honrar, por exemplo, contratos firmados com a Cosan para o transporte de açúcar até o Porto de Santos. / COLA- BOROU FERNANDO SCHELLER

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