Daniel Teixeira/Estadão
Azul apresentou proposta de US$ 5 bilhões Daniel Teixeira/Estadão

Presidente da Azul diz que compra da Latam ficou 'muito cara'

Afirmação foi feita após concorrente apresentar plano de recuperação judicial de US$ 8,19 bilhões

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2021 | 20h10

Diante do plano de recuperação judicial apresentado na sexta-feira, 26, pela Latam, que inclui um aporte de US$ 8,19 bilhões (R$ 45,9 bilhões) no grupo, a Azul deverá recuar da tentativa de compra da concorrente. A avaliação da Azul é que ficou muito caro investir na Latam, sobretudo com o cenário de uma quarta onda de covid, que pode paralisar novamente o mercado aéreo internacional, afirmou ao Estadão o presidente da Azul, John Rodgerson.

“Se o mundo girar e tivermos uma oportunidade (para comprar a Latam), vamos olhar. Mas, nessas condições, não faríamos (nova proposta). Ficou muito caro, e a essência da empresa não mudou. Os custos com folha de pagamento, por exemplo, continuam iguais”, disse o executivo. 

Rodgerson afirmou que a Azul apresentou uma proposta para ficar com o controle da concorrente. O plano previa um aporte de cerca de US$ 5 bilhões por parte de alguns credores e era encabeçado pelo Moelis & Company.

O executivo, no entanto, diz acreditar que o plano da Latam pode enfrentar entraves na Justiça dos Estados Unidos, onde corre o processo. Isso porque os acionistas da Latam terão preferência na compra de ações e de títulos conversíveis. 

Na manhã deste sábado, 26, porém, o presidente da Latam, Roberto Alvo, afirmou que a proposta dá um “tratamento equitativo para os stakeholders”. “Dá a possibilidade para credores grandes e pequenos participarem via bônus convertidos (em ações)”, acrescentou o executivo. 

O plano da Latam prevê uma oferta de direitos de compra de ações no valor de US$ 800 milhões, que será aberta aos acionistas. Também serão emitidas três classes de títulos conversíveis, que serão oferecidos preferencialmente aos acionistas do grupo e, posteriormente, a determinados credores. Esses títulos devem somar US$ 4,64 bilhões.

O grupo ainda deverá levantar US$ 500 milhões em uma nova linha de crédito rotativo e aproximadamente US$ 2,25 bilhões em financiamento de dívida por meio de novos recursos, que podem ser um novo empréstimo a prazo ou novos títulos.

Atingida em cheio pela pandemia, a Latam foi a empresa que atua no mercado doméstico brasileiro que mais sofreu com a crise. Isso porque tem uma operação internacional maior que suas concorrentes. O grupo pediu recuperação judicial (chapter 11) em Nova York no fim de maio de 2020, a unidade brasileira da companhia aderiu ao pedido 40 dias depois.

De acordo com Roberto Alvo, a expectativa da Latam é deixar a recuperação judicial em meados de 2022. O plano da empresa será avaliado pela Justiça americana em 27 de janeiro. Após isso, a companhia terá um período de exclusividade para negociar a aprovação do plano com credores.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Latam apresenta plano de recuperação que prevê injeção de US$ 8,19 bilhões

Após deixar recuperação judicial, companhia terá dívida de US$ 7,3 bi e liquidez de US$ 2,7 bi

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2021 | 01h30

A Latam apresentou na sexta-feira, 26, seu plano de recuperação judicial, que inclui a injeção de US$ 8,19 bilhões (R$ 45,9 bilhões) no grupo por meio de uma combinação de capital novo, títulos conversíveis e dívida. Segundo divulgou a empresa, após deixar a recuperação (chapter 11), a Latam terá uma dívida de US$ 7,26 bilhões e uma liquidez de US$ 2,67 bilhões.

“A injeção significativa de capital novo em nosso negócio é uma prova de seu apoio (dos acionistas e credores) e confiança em nossas perspectivas de longo prazo”, afirmou, em nota, o presidente do grupo, Roberto Alvo. Ainda de acordo com a companhia, o novo nível de endividamento é “conservador” e a liquidez, “adequada” para esse período de incerteza decorrente da pandemia.

A audiência para aprovar os procedimentos de votação deve ocorrer em janeiro em Nova York, onde corre o processo de recuperação. Entre janeiro e fevereiro, a companhia deverá buscar os votos necessários para aprovar seu plano e uma outra audiência para avaliar o plano de execução deve ocorrer em março.

Após esse processo, a Latam pretende lançar uma oferta de direitos de compra de ações no valor de US$ 800 milhões, que será aberta a todos os acionistas da companhia. Também serão emitidas três classes de títulos conversíveis, que serão oferecidos preferencialmente aos acionistas do grupo e, posteriormente, a determinados credores. Esses títulos devem somar mais de US$ 4,64 bilhões.

O grupo ainda deverá levantar US$ 500 milhões em uma nova linha de crédito rotativo e aproximadamente US$ 2,25 bilhões em financiamento de dívida por meio de novos recursos, que podem ser um novo empréstimo a prazo ou novos títulos.

Segundo a companhia, o plano de recuperação judicial é acompanhado por um acordo de apoio à reestruturação firmado com o Grupo Ad Hoc de Credores da Matriz (o maior grupo de credores sem garantia, liderado por Sixth Street, Strategic Value Partners e Sculptor Capital, além dos acionistas Delta Air Lines, Qatar Airways e grupos Cueto e Eblen). 

Tudo o que sabemos sobre:
Latamrecuperação judicial

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Presidente da Latam afirma que proposta de compra apresentada pela Azul era ‘incompleta’

Latam apresentou plano de recuperação judicial e, segundo a companhia, a proposta já teria o apoio de credores para ser aprovada

Luciana Dyniewicz, O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2021 | 11h36

O presidente do grupo Latam, Roberto Alvo, afirmou na manhã deste sábado, 27, que a companhia chegou a receber uma manifestação de interesse de compra da Azul em meio a seu processo de recuperação judicial, mas que a oferta foi considerada “incompleta” e “insuficiente”. “Descartamos as ideias da Azul. Não era possível atuar sobre essa proposta.O conteúdo dela é confidencial”, afirmou em entrevista coletiva com jornalistas brasileiros.

A Latam apresentou no fim da noite de ontem seu plano de recuperação judicial, que inclui  a injeção de US$ 8,19 bilhões (R$ 45,9 bilhões) no grupo por meio de uma combinação de capital novo, títulos conversíveis e dívida. A proposta será avaliada pela Justiça dos Estados Unidos, onde corre o processo de recuperação, no dia 27 de janeiro. Após isso, a empresa terá um período de exclusividade para negociar a aprovação do plano com credores.

A Azul, porém, vem mantendo conversas nos bastidores com os credores em torno de um plano alternativo, que lhe daria o controle da Latam. A proposta da Azul pode ganhar força, portanto, apenas se o plano da Latam for rejeitado pelos credores.

Alvo destacou que o plano apresentado já tem o apoio de 71% dos credores sem garantia. Pela lei de recuperação judicial americana (chapter 11), a companhia precisa de 66% deles para aprovar uma proposta.

“Esse plano tem tratamento equitativo para os stakeholders. Dá a possibilidade para credores grandes e pequenos participarem via bônus convertidos (em ações). Ele foi consensualmente acordado com credores e, assim, cumpre com o chapter 11”, afirmou o executivo. 

A proposta da Latam prevê uma oferta de direitos de compra de ações no valor de US$ 800 milhões, que será aberta aos acionistas da companhia. Também serão emitidas três classes de títulos conversíveis, que serão oferecidos preferencialmente aos acionistas do grupo e, posteriormente, a determinados credores. Esses títulos devem somar US$ 4,64 bilhões.

O grupo ainda deverá levantar US$ 500 milhões em uma nova linha de crédito rotativo e aproximadamente US$ 2,25 bilhões em financiamento de dívida por meio de novos recursos, que podem ser um novo empréstimo a prazo ou novos títulos.

Alvo não quis comentar se possíveis impactos da nova onda da covid no mercado financeiro podem dificultar o acesso da empresa ao capital. “É muito cedo para entender os impactos da nova cepa. Acho que não é hora de especular sobre isso até que se tenha mais informações.” O executivo, no entanto, frisou que o grupo tem agora uma estrutura de custo variável que lhe ajuda a atravessar novas crises. 

Procurada, a Azul não quis comentar.

Tudo o que sabemos sobre:
Latamaviaçãorecuperação judicial

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.